Mitsubishi começa a investir no mercado brasileiro de TI


A Mitsubishi, mais conhecida no Brasil pela produção de carros e eletroeletrônicos, decidiu entrar no mercado brasileiro de tecnologia da informação. A partir de sua matriz no Japão, vai investir US$ 80 milhões na Politec, empresa especializada na prestação de serviços e consultoria em TI. Desse total, US$ 30 milhões já foram liberados para uso imediato. Os demais US$ 50 milhões serão aplicados até o fim do ano.

Com o aporte, o conglomerado japonês passa a ser sócio da Politec, com uma participação que poderá chegar a 25%. Um executivo da matriz em Tóquio será indicado para atuar como vice-presidente da Politec. Hiroshi Nimura, atual vice-presidente da Mitsubishi no Brasil, passará a ser um dos membros do conselho da Politec.

A negociação teve início há cerca de um ano. Desde 2004 a Politec presta serviços para algumas unidades da Mitsubishi, diz Hélio Santos Oliveira, presidente da companhia brasileira. "Cuidamos de operações como monitoramento de banco de dados para algumas empresas do conglomerado", diz o executivo. "Foi a partir desse relacionamento que eles nos propuseram sociedade."

Nos últimos meses, um time de consultores formado pelas empresas A.T. Kearney, Deloitte, KPMG, Mattos Filho, Tozzini Freire e Roland Berger auditou a companhia. O banco Morgan Stanley deu a Politec um valor de mercado de R$ 525 milhões.

Agora, além de sócia, é provável que Mitsubishi torne-se um dos maiores clientes da Politec, fundada em Brasília em 1970. Um dos maiores conglomerados empresariais do mundo, a Mitsubishi conta hoje com participação em mais de 500 empresas espalhadas por 80 países. Segundo Oliveira, um quarto da receita da Politec deverá vir de serviços prestados ao grupo.

Mas essa é apenas parte da história, diz Hiroshi Nimura, da Mitsubishi. "Sabemos que leva tempo, mas nossa proposta é transformar a Politec em um provedor global de serviços de TI."

Em 2002, conta ele, a Mitsubishi fez sua primeira incursão no mercado de tecnologia brasileiro ao lançar no país - em parceria com a Intec - a AccesStage, voltada a sistemas para troca eletrônica de documentos. Dois anos depois, em sociedade com a Atech, criou a MC1, especializada em produtos para redes sem fio. "Há tempo procurávamos uma operação de porte voltada para serviços de TI, uma área em que temos uma atuação muito limitada", comenta Nimura.

A Politec, que faturou R$ 512 milhões em 2007, tem 6,5 mil funcionários. Os planos de expansão não são tímidos, diz Oliveira, que nos últimos 25 anos dividiu a empresa com dois sócios: Milton Carlos de Alarcão e Carlos Alberto Barros.

Com a entrada da Mitsubishi, a empresa quer somar 10 mil colaboradores até o fim de 2009. A maior parte das operações, diz Oliveira, ficará voltada à oferta de serviços internacionais prestados a partir do Brasil. A idéia é que os investimentos da Mitsubishi sejam distribuídos em novas e atuais subsidiárias e escritórios da Politec. "A terceirização representa 5% do nosso negócio hoje, mas em três anos responderá por 50% da companhia."

A Politec está concluindo a abertura de uma subsidiária no Japão. Em breve, diz Oliveira, outra operação terá início na Argentina. "Vamos aumentar ainda a atuação nos Estados Unidos. Depois seguiremos para o Chile e a Colômbia e, numa segunda fase, para a Europa."

Duas companhias estão em fase final de análise para aquisição. Em três anos, a Politec planeja dobrar seu faturamento.



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