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A participação do Brasil como país parceiro oficial da Hannover Messe 2026, liderado pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), teve o anúncio de um investimento estimado em 2 bilhões de euros - cerca de R$ 11,7 bilhões - em um projeto de hidrogênio de baixo carbono e derivados. O anúncio foi feito em conjunto pelas empresas Brazil Green Energy (BGE) e Green Investors (GI), com a participação de parceiros industriais como Thyssenkrupp Uhde, Siemens e Andritz, além da Deutsche Bahn na estrutura logística europeia.
Resultado da articulação da ApexBrasil, o projeto Morro Pintado, localizado em Areia Branca, no Rio Grande do Norte, reforça o papel do Brasil como destino estratégico para investimentos em energia limpa e indústria sustentável, além de evidenciar a capacidade do país de estruturar iniciativas de grande escala com impacto internacional.
O anúncio foi acompanhado da assinatura do contrato de cooperação do programa H2Uppp, conduzido pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), com financiamento do Ministério Federal de Economia e Energia da Alemanha e da iniciativa europeia Global Gateway, reforçando o alinhamento estratégico entre Brasil e Europa na agenda de transição energética.
O projeto Morro Pintado prevê a instalação de um complexo integrado de geração de energia renovável e produção de combustíveis de baixo carbono. Com capacidade estimada de 1.400 MW em energia eólica e solar, a planta deverá produzir cerca de 80 mil toneladas anuais de hidrogênio de baixo carbono. A partir desse insumo, estão previstas a produção de amônia verde, e-metanol e, em uma segunda fase, ureia verde — totalizando 438 mil toneladas anuais de derivados. O empreendimento também contempla a construção de um terminal portuário dedicado ao escoamento da produção.
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A amônia verde desempenha papel central tanto na produção de fertilizantes quanto na indústria química e na descarbonização de setores intensivos em emissões. Já o e-metanol desponta como alternativa estratégica para a descarbonização do transporte marítimo, enquanto a ureia verde poderá contribuir diretamente para a segurança alimentar e a redução da dependência externa de insumos agrícolas no Brasil.
Atualmente, o país importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, sendo 36% da ureia proveniente do Oriente Médio. O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF 2050) estabelece a meta de reduzir essa dependência para 50% até 2050. Com capacidade prevista de produção de cerca de 428 mil toneladas de ureia, o projeto Morro Pintado poderá suprir aproximadamente 5% da demanda nacional, hoje estimada em 8 milhões de toneladas anuais.
Para a ApexBrasil, o anúncio consolida não apenas o sucesso da participação brasileira na Hannover Messe 2026, mas também a maturidade de uma estratégia de longo prazo voltada à atração de investimentos sustentáveis. Ao transformar conexões em projetos concretos, o Brasil reforça sua posição como protagonista na economia de baixo carbono e sinaliza ao mundo que está preparado para liderar, com escala e competitividade, a nova fronteira global da energia limpa e da indústria verde.
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