O vilão esquecido do aquecimento global: os bolsões térmicos

Antonio Germano Gomes Pinto (*)

Muito se tem falado sobre o aquecimento global, seus gases, suas causas e seus efeitos nefastos sobre o meio ambiente e suas conseqüências sobre a vida sobre o Planeta Terra. Todo esse debate é válido e tem sido muito bem fundamentado, embasado em estudos e pesquisas científicas sérias, porém um fato tem sido esquecido e o chamamento da atenção para ele pode ser muito útil para o futuro. Vamos enfocar o problema do gás carbônico um dos principais e talvez o principal causador do aquecimento global ou efeito estufa. Então vejamos:

O gás carbônico possui uma densidade superior à densidade média da massa dos gases que compõem a mistura de gases atmosféricos que representam muito maior percentual que a do gás carbônico. Nitrogênio, quase 80%; oxigênio, em torno de 21% e gás carbônico, mais ou menos 0,032%, quando em concentrações médias normais, pois na realidade atual, concentrações muito mais elevadas têm sido constatadas. A maior densidade do gás carbônico, em relação aos demais gases atmosféricos, força-o a permanecer por maior tempo nas camadas mais baixas, junto ao solo e no local de sua geração, dificultando sua mistura com os outros gases e sua dispersão na massa gasosa em seu entorno. O gás carbônico tem propriedades isolantes térmica, capaz de reter em sua massa, baixas ou altas temperaturas.

O gás carbônico tem uma grande solubilidade na água, aumentando esta solubilidade proporcionalmente a queda da temperatura e aumento da pressão, inclusive atmosférica, fato que dificulta ainda mais a dispersão da mistura de vapor de água e gás carbônico.

O gás carbônico, gerado nos grandes centros, fica retido na baixa atmosfera do local de sua geração em grandes quantidades, dependendo das condições climáticas, temperatura ambiente, inversão e reversão térmicas, pressão atmosférica, ventilação, criando verdadeiros bolsões térmicos que são arrastados, sem se misturar às massas circunvizinhas a grandes distâncias.

Imaginemos, uma massa fria de ar, rica em gás carbônico e umidade, um verdadeiro bolsão térmico, vinda do sul em direção ao equador, região contendo bolsões térmicos úmidos e super aquecidos. O choque destas duas massas de gases, uma em baixa e outra de alta temperatura, contendo abundante umidade, irá acarretar uma catastrófica enchente, acompanhada de vendavais, fato que vem ocorrendo com grande freqüência em diferentes regiões do planeta. Fenômeno idêntico acarretará se o caminho for inverso, isto é o bolsão térmico aquecido for em direção ao bolsão térmico contendo massa fria.

O rompimento dos bolsões térmicos, a invasão brusca e a mistura das duas massas de ar, quente e fria, irão fatalmente provocar o desastre meteorológico que fisicamente consiste na condensação e queda brusca do vapor de água contido e transportado pelos respectivos bolsões térmicos. Os desastres meteorológicos estão acontecendo, devido aos bolsões térmicos, que dificultam a homogeneização, a distribuição da energia térmica nas massas dos gases atmosféricos e, como conseqüência, fenômeno idêntico esta acontecendo nas águas dos mares e oceanos. A energia natural, a solar ou gerada pelo homem tem dificuldade em se dissipar, em se “diluir” por todo o “espaço que lhe é devido”.

Se fosse possível construir uma curva térmica media do aquecimento global, ficaria comprovado que este fenômeno fica bastante aquém dos valores tão insistentemente apregoados. A energia térmica e a água estão sendo mal distribuídas na atmosfera como conseqüência da irresponsável destruição das nossas florestas. A presença do verde também proporciona o equilíbrio térmico ambiental.

* É bacharel e licenciado em Química, químico industrial, engenheiro químico, especialista em Recursos Naturais com ênfase em Geologia, especialista em Tecnologia e Gestão Ambiental, professor universitário e autor de duas patentes registradas no INPI e em grande número de países.
E-mails: aggpinto@hotmail.com ou ag.pinto@uol.com.br
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