Fontes de energia precisam dobrar até 2050, diz relatório

Fonte: BBC Brasil - 12/11/07

O documento Decidindo o Futuro: Cenários das Políticas de Energia para 2050 antecipa quatro cenários diferentes sobre o futuro dos sistemas mundiais de energia e faz recomendações com base em três categorias: acesso (energia moderna e acessível para todos), disponibilidade (energia confiável e segura) e aceitação (cumprimento de objetivos sociais e ambientais).

O relatório também aponta objetivos comuns para que os governos mundiais consigam programar suas políticas energéticas fundamentadas nestas categorias.

Segundo os pesquisadores, até 2035 é possível reduzir o número de pessoas sem acesso aos sistemas de energia modernos de 2 bilhões para 1 bilhão.

Até 2050, de acordo com o estudo, é possível reduzir este número novamente pela metade (para 500 milhões).

De acordo com o estudo, os combustíveis fósseis devem continuar representando a maior proporção de energia primária necessária nas próximas quatro décadas.

Diferenças regionais

O relatório foi elaborado com base em 20 oficinas realizadas em cinco regiões: África, Ásia, América do Norte, América Latina e Caribe e Europa.

O estudo diz que "apesar de cada região apresentar diferentes prioridades no desenvolvimento de fontes e serviços de energia, é preciso que todas trabalhem em cooperação para atingir com sucesso as três categorias".

O principal desafio dos governos, segundo o Conselho Mundial de Energia, será transferir os recursos disponíveis dos locais de onde são produzidos para os lugares que mais precisam de recursos energéticos.

O documento indica ainda que cada região se preocupa de forma diferente com relação aos sistemas de energia.

Segundo a pesquisa, na África, região menos desenvolvida das analisadas pelo estudo, a principal medida é aumentar o acesso à energia.

Já a Europa, que tem uma economia mais madura e desenvolvida, dá mais ênfase à aceitação dos sistemas de energia e às políticas energéticas.

América Latina

"A América Latina e o Caribe precisam de investimentos significativos para aumentar com sucesso a independência energética e maximizar o potencial local dos sistemas de energia", diz o estudo.

Para os pesquisadores, a região inteira pode se beneficiar se houver investimento em gás natural na Bolívia e em Trinidad e Tobago; óleo e gás natural na Venezuela e energia hidrelétrica no Brasil e na Colômbia.

Na categoria aceitação, o estudo destaca o desenvolvimento de biocombustíveis na região, principalmente no Brasil.

"A dedicação da região à bioenergia foi destacada pelo desenvolvimento do biodiesel como combustível alternativo", diz o estudo. "Como resultado, as emissões de carbono da região são comparativamente baixas."

Acesso

O relatório afirma ainda que a América Latina e o Caribe ainda precisam trabalhar muito para conseguir atingir o objetivo de tornar os sistemas de energia acessíveis, disponíveis e aceitáveis.

A pesquisa destaca também o acesso amplo à energia comercial e os esforços dos governos locais para estender o acesso em áreas rurais, além do baixo preço das tarifas de gás e eletricidade em grande parte da América Latina e do Caribe.

Na última categoria, que trata da disponibilidade, a pesquisa aponta que, em termos gerais, a região apresenta fontes significativas de energia e que o principal problema não está nos recursos naturais, mas na desiguladade na distribuição dos recursos na região.

Segundo o Conselho Mundial de Energia, "pelas características da região, a eliminação da pobreza por meio do acesso e da disponibilidade das fontes de energia é um foco natural".



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