Governo brasileiro anuncia novos parceiros em sua aventura nuclear

Ato promovido pelo Greenpeace em memória das vítimas do acidente radioativo com o césio-137, no centro de Salvador, reuniu cerca de 40 manifestantes.


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Fonte: Jornal do Meio Ambiente - 21/10/07

Ato promovido pelo Greenpeace em memória das vítimas do acidente radioativo com o césio-137, no centro de Salvador, reuniu cerca de 40 manifestantes.

Sem definição de seus termos práticos, acordo firmado com Índia e África do Sul pretende expandir o uso de energia atômica e vai gerar mais insegurança no mundo.


O presidente Lula deu mais um indicativo claro de que pretende turbinar o Programa Nuclear Brasileiro com a assinatura, na quarta-feira, de um acordo de cooperação nuclear entre Brasil, África do Sul e Índia. O anúncio, feito durante viagem à África do Sul, não forneceu detalhes de como o acordo será feito na prática. Declarou-se apenas que será monitorado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que terá fins pacíficos.


“A assinatura do acordo reforça o posicionamento do presidente Lula na contramão da tendência mundial de erradicação da utilização desse tipo de energia. Enquanto países como a Alemanha e Espanha se comprometeram com o descomissionamento de suas usinas nucleares, o Brasil declara a retomada do programa nuclear com a construção de Angra 3 e, agora, a assinatura de documentos de cooperação internacional”, afirmou Beatriz Carvalho, coordenadora da campanha antinuclear do Greenpeace Brasil.


Além do problema ambiental, de insegurança e de proliferação de armas, a energia nuclear é pouco competitiva em termos econômicos. A construção de Angra 3, por exemplo, vai custar R$ 7 bilhões aos cofres públicos, recurso que poderia ser investido na geração e utilização de energias renováveis, com maior eficiência, maior geração de empregos e menor impacto ambiental.

O lixo radioativo produzido pelas usinas é altamente perigoso e seu armazenamento é um problema para o qual não há solução no mundo. Os riscos de acidentes radioativos foram responsáveis por grandes tragédias como o acidente do Césio, em Goiânia, o de Chernobyl, na Ucrânia, e o de Three Mile Island, nos Estados Unidos, para citar apenas alguns.

“O uso da energia nuclear não atende a qualquer finalidade que justifique seus altíssimos custos de ordem econômica, ambiental e social. Esse é um preço que não precisamos pagar, pois existem energias alternativas, como a eólica, a solar e a proveniente de pequenas centrais hidrelétricas, que são muito mais seguras e limpas”, avalia Beatriz.



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