Educação precisa de uma revolução, diz Côrte em evento no ITA sobre Indústria 4.0


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O setor educacional carece urgentemente de uma verdadeira revolução, que promova o ensino inclusivo e de alta qualidade, capacitando futuros profissionais e requalificando os atuais para as novas demandas do mundo do trabalho. O argumento foi defendido pelo presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte, em palestra na Conferência sobre Indústria 4.0, evento promovido em parceria entre o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA, do Brasil) e o Instituto Fraunhofer (da Alemanha) e realizado nesta terça (6), em São José dos Campos-SP. “Tendências apontadas para o mundo do trabalho mostram que 5,1 milhões de empregos serão perdidos até 2020, enquanto outros 2 milhões serão criados, apoiados especialmente no que as tecnologias disruptivas sinalizarão”, disse Côrte, citando ainda que 65% das crianças que hoje entram nas escolas trabalharão em funções que ainda não existem. 

O evento reuniu palestrantes nacionais e internacionais, representantes, entre outras organizações, da GM, Siemens, Thyssenkrupp, MCTIC, Embraer, Fapesp e SENAI. O diretor regional do SENAI/SC, Jefferson de Oliveira Gomes, falou sobre a parceria com o Instituto Fraunhofer e sobre o status brasileiro na Indústria 4.0. Outro catarinense que proferiu palestra foi Gabriel Bottós, da Welle Laser (de Palhoça), em demonstração de que SC está na vanguarda da Indústria 4.0. O evento marcou o lançamento do Fraunhofer Project Center for Advanced Manufacturing @ ITA (FPC@ITA).


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“A quarta revolução industrial, diferentemente das demais evoluções econômicas registradas na História, é pré-anunciada, com o desenvolvimento de campos como a genética, a nanotecnologia, a biotecnologia, a inteligência artificial e a robótica, que trazem consigo um grande potencial disruptivo”, disse Côrte. Segundo ele, o setor industrial é duplamente afetado, primeiro, pelo rompimento de modelos de negócios e, segundo, pela necessidade de desenvolvimento de novas habilidades da força de trabalho. “Além do número de vagas, as mudanças mais significativas estarão nas competências laborais a serem demandadas”, destacou. “Estima-se que mais de um terço de todas as ocupações exijam, em 2020, a solução de problemas complexos como requisito fundamental. As competências sociais, por outro lado, terão maior demanda em todos os segmentos, já que 82% dos empregos exigirão habilidades cognitivas dos trabalhadores”, afirmou, enfatizando que parcerias multissetoriais farão da colaboração uma estratégia para alavancar conhecimento.

Tecnologias disruptivas eliminarão 3 milhões de empregos nos próximos anos, afirma Côrte.
Foto: Divulgação ITA

Côrte citou também as ações que o Sistema Indústria vem realizando para a plena inserção brasileira no novo contexto econômico mundial. Salientou que o SENAI/SC vem realizando atividades focadas em três dimensões: Despertar 4.0, Agir 4.0 e Conectar 4.0. São ações no sentido de sensibilizar a sociedade para o novo fenômeno, gerar soluções para a indústria (principalmente por meio dos Institutos de Inovação) e fomentar a atuação em rede entre indústrias e pessoas interessadas em conteúdos e soluções da Indústria 4.0. Côrte destacou ainda a ação do SESI/SC, com a implantação do Centro de Inovação em Tecnologias para a Saúde. As duas entidades também atuam na oferta de educação voltada para a inserção de crianças e adolescentes no novo fenômeno, especialmente por meio de um modelo de aprendizagem baseado na resolução de problemas reais, como ocorre nos Espaços Maker do SESI e no Ensino Médio SENAI Conecte.

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