“É a competição que cria a inovação”

Margrethe Vestager, comissária da União Europeia para Concorrência, ressalta a importância do livre mercado para o desenvolvimento dos negócios e da sociedade.


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Ela é uma das mulheres mais poderosas do mundo. E leva sua missão muito a sério. Gostem ou não os gigantes da tecnologia. Margrethe Vestager é a comissária da União Europeia para Concorrência, responsável por assegurar que ações contrárias à competição não criem raízes no território europeu. Foi ela, por exemplo, que esteve à frente do processo que resultou na multa de 2,4 bilhões de euros recebida pelo Google por práticas anticoncorrenciais. Nesta terça-feira (7), no Web Summit, em Lisboa, ela reafirmou em alto e bom som o seu compromisso em garantir o funcionamento do livre mercado para uma plateia forrada de executivos e empreendedores de tecnologia. E mais: para justificar seu pulso firme, apelou para uma palavra venerada pelo setor. “É a competição que faz a inovação ocorrer. É o que nos torna capaz de realizar o que antes nem se imaginava possível”, diz Margrethe. 

Imagem: Divulgação

Quem já chegou lá não tem o direito de usar sua influência para fechar as portas aos demais, defende. “É um problema quando as empresas que dominam o mercado decidem usar seu poder para barrar a concorrência e impedir a inovação”, afirma. Margrethe vai mais além. Na sua opinião, as companhias bem-sucedidas têm um papel ainda mais relevante em manter as regras do livre mercado. “Empresas como o Google tem uma responsabilidade especial. E nós tivemos que dar ao Google uma multa, porque ele não respondeu à altura dessa responsabilidade. Não é aceitável que ele use o poder de um mecanismo de busca para negar aos outros a chance de competir”.


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A executiva fez questão de ressaltar em seu discurso que o sucesso não é de nenhuma maneira um problema mas, sim, um motivador. “Ele inspira os outros. Obviamente, não temos nenhuma objeção de o Google dominar o mercado de buscas. Nós só não queremos que ele use essa dominância para apertar a concorrência, porque acreditamos que não deve ser o tamanho da companhia que decide se ela é bem-sucedida. Que não devem ser as conexões com os governos que decidem se ela é um sucesso. Deve ser sua capacidade de inovação, seus produtos e serviços”. 

Apesar de pegar pesado com o setor privado, Margrethe também ressaltou que ações governamentais, como subsídios ou reduções de imposto para determinados setores e companhias, também cobram seu preço, reduzindo a eficiência do mercado. “Isso torna mais difícil a competição em pé de igualdade”.

Apesar das críticas ácidas, a executiva manteve em sua apresentação um tom otimista, saudando diversas vezes a inovação. “Quando te perguntarem por que você, por que agora, por que mudar, responda: por que não? É esse o espírito que abre novos horizontes”. Fica a provocação. Dela e nossa.




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