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Como as imagens de satélite ajudam na restauração e reflorestamento das áreas degradadas

O monitoramento ambiental é essencial para mitigar possíveis efeitos da ação humana descontrolada. E as imagens em tempo real de satélites têm um papel central nesse processo.

O crescimento dos projetos de restauração e reflorestamento mostra o quanto é importante o uso de tecnologia de ponta nessa área. Basta citar um exemplo: o programa UN Decade, da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2021, surgiu com a promessa de restaurar 158 milhões de hectares ao longo de 10 anos.

Isso começa no básico, que é ter um satélite em tempo real (ao vivo) monitorando o que ocorre em cada região-alvo. A imagem de satélite ao vivo no LandViewer, por exemplo, permite a comparação de uma área previamente degradada com o cenário após a implementação de um programa de reflorestamento.

Aferir os resultados de iniciativas como a da ONU seria inviável sem tecnologias avançadas. Mas elas já existem e continuarão avançando.

O valor do monitoramento contínuo na recuperação ambiental

Mas, afinal, qual é a utilidade prática de monitorar um processo de restauração e reflorestamento com tecnologia de ponta?

A verdade é que um número enorme de projetos de restauração acaba falhando por simples falta de acompanhamento. Vamos a dois exemplos:

Um estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) relata que, durante um programa de reflorestamento no México (PRONARE), a taxa de sobrevivência das mudas foi de 50% em um ano.

Outra pesquisa, que reúne dados de diversos programas de reflorestamento na Ásia, indica uma taxa de mortalidade de 44% nas árvores plantadas. As razões apontadas para esse aproveitamento são diversas, como ocorre no caso do PRONARE. No entanto, em ambos os casos, um monitoramento mais efetivo pode ajudar a identificar eventuais problemas antes que eles se tornem ainda maiores.


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O monitoramento por satélite traz escala, frequência e objetividade. Afinal, contar com uma imagem real da terra, em detalhes — e mais especificamente imagens de satélite da terra ao vivo — pode ser a chave para identificar fatores que atuam contra o sucesso de um programa de restauração e reflorestamento.

Indicadores-chave avaliados por imagens de satélite

A imagem de satélite em tempo real pode ajudar na avaliação de uma série de indicadores por parte dos responsáveis pelo projeto. Vamos ver a seguir três exemplos principais.

NDVI e índices de vegetação

O Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) é uma métrica base para a evolução da cobertura vegetal — e a saúde da vegetação — em uma área reflorestada. Por exemplo, pode servir para acompanhar o aumento de biomassa ao fim de períodos específicos, como 6, 12 e 24 meses.

Biomassa e expansão da cobertura florestal

O aumento de biomassa serve como indicador da recuperação estrutural de uma área restaurada. Este indicador não apenas revela a presença de vegetação, mas também sua estrutura, densidade e capacidade de acumular carbono. Portanto, trata-se de avaliar não apenas a extensão, mas também a qualidade do reflorestamento.

Uso e cobertura do solo (Land Cover)

O monitoramento do uso e da cobertura do solo (mais conhecida pela expressão em inglês “land cover”) ajuda a avaliar se uma área degradada está, de fato, evoluindo para vegetação nativa.

Imagens em tempo real de satélites podem ser, inclusive, utilizadas em conjunto com classificações automáticas via inteligência artificial (IA) para um monitoramento mais efetivo.

Aplicações práticas e casos reais

O monitoramento por satélite em tempo real (ao vivo) é usado atualmente em diversos projetos ligados ao meio ambiente.

Por exemplo, iniciativas de restauração no Cerrado e Amazônia usam sensoriamento remoto, inclusive com o emprego de ferramentas como o MapBiomas, que reúne diversas universidades e entidades para a obtenção de dados sobre a transformação na cobertura e no uso da terra — não apenas no Brasil, mas também em mais de 10 outros países atualmente.

Há também empresas de mineração em Minas Gerais, como a Vale, que utilizam séries temporais de imagens da Sentinel e Landsat para monitorar projetos de reflorestamento de bacias de rejeito e áreas de lavra esgotadas. Com isso, conseguem avaliar a cobertura de espécies nativas e a densidade de vegetação sem a necessidade de inspeções frequentes em campo.

Empresas e gestores ambientais podem se beneficiar

A tecnologia de imagem por satélite, portanto, beneficia gestores ambientais — e empresas com atividades voltadas à recuperação de áreas degradadas — em diversos sentidos.

Ao diminuir a necessidade de monitoramentos tradicionais em campo, uma das vantagens já fica bem clara: a redução de custos. No entanto, não se trata apenas disso.

Imagens por satélite garantem que as auditorias ambientais são baseadas em dados, melhorando a qualidade das decisões e ajudando a evitar possíveis problemas na condução de projetos de restauração ambiental.

Isso ocorre com uma perspectiva de tomada de decisão mais rápida, já que as informações obtidas alimentam bases de dados em tempo real, gerando relatórios — e também alertas — com o que mais importa.

Nesse sentido, o resultado é claro: há uma redução dos riscos legais e operacionais. E as empresas ainda se beneficiam de uma melhor rastreabilidade, o que impacta também nos relatórios de ESG, sensivelmente mais robustos e sólidos neste caso.