Ideias de funcionários geram economia para empresas de SC

Criação de máquina e projeto de reaproveitamento de água são exemplos.

Em tempos de crise, a solução pode estar mais perto do que se imagina. O exemplo vem de trabalhadores catarinenses que estão propondo soluções para gerar economia para as empresas onde atuam. E vêm sendo recompensados por isso.

É o caso de uma indústria química de Criciúma, no Sul do estado. Até o ano passado, os tachos usados eram lavados à mão, num trabalho difícil e demorado - a limpeza de cada um deles levava até 40 minutos.

Utilizar uma máquina para fazer esse serviço parecia inviável, já que uma versão importada custaria o equivalente a R$ 800 mil.

Os próprios funcionários, porém, contornarm o problema e desenvolveram um equipamento que praticamente acabou com o trabalho manual. Por R$ 61 mil - bem menos do que o maquinário importado -, a empresa ganhou em produtividade: a máquina desenvolvida por eles faz tudo sozinha em apenas cinco minutos.

Além disso, trouxe benefício para a saúde dos funcionários, sem falar na economia anual de R$ 80 mil com os solventes que antes eram usados na limpeza.

"É um ganho de dez vezes na produtividade", diz o supervisor de produção Gilmar Dalmolin, que teve a ideia com outro colega em um dos grupos de melhorias implantados para inventicar os funcionários a terem ideias inovadoras para aumentar o desempenho e a qualidade de vida.


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Inovação e persistência

A filosofia surgiu no Japão e está se espalhando: em Santa Catarina já chegou a pelo menos 36 empresas. "Um processo de inovação tem muitos fracassos. Se a empresa não for persistente, ela vai desistir. Tem que ter sempre essa visão de que a inovação vai dar resultado", diz o vice-presidente da indústria, Edmilson Zanatta.

Em outro caso, a ideia da compra de um equipamento ajudou a solucionar um problema antigo - a empresa gastava em média R$ 14 mil por mês com nitrogênio usado na produção. O aparelho que separa o nitrogênio presente no ar gera uma economia de R$ 100 mil ao ano.

"A gente estimula ideias inovadoras, inclusive com premiação financeira. E acaba enraizando essa cultura no pessoal de ter sempre um olhar crítico sobre os processos, para tentar dar sempre uma ideia nova que diminua o trabalho e facilite as atividades", afirma o supervisor de produção André de Martin.

Reaproveitamento de água

Em um laboratório de Criciúma, 30% dos colaboradores participam dos grupos de melhorias. Em um ano, foram 530 ideias. O grupo da enfermeira Aline Pereira Padoin desenvolveu um sistema para reaproveitar a água dos aparelhos de ar condicionado - antes, o laboratório usava 120 litros por de água tratada para limpar os materiais.

"Como a gente está reutilizando a água, a gente deixou de gastar no laboratório e contribui com o meio ambiente. Agora a gente pode usar essa água também em diversos setores da empresa", conta a funcionária.

"Melhoria de processos, redução de custos, otimização: tudo isso é resultado dos grupos de melhorias", reforça a gerente de qualidade Gisele Martinello Gaspodini

A coordenadora de RH Luciana Evangelista reforça a importância do olhar do funcionário para propor alternativas. "A solução está dentro do próprio ambiente, no dia a dia de trabalho. Ninguém melhor do que ele para conhecer e poder inovar."




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