Volume de importações de bens de capital tem pior primeiro trimestre

Estudo divulgado pela Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei) mostra um volume de importação de bens de capital semelhante ao do primeiro trimestre de 2009. Nos primeiros três meses desse ano, as empresas brasileiras importaram pouco mais de US$ 7,26 bilhões em bens de capitais, uma queda de 32,14% em comparação com o mesmo período em 2015.

O número registrado no primeiro trimestre representa também uma queda de 9,02% em relação aos últimos três meses de 2015. No ano passado, o setor importador de máquinas perdeu 25% de seu faturamento. A previsão desse ano é de uma retração idêntica.

Para o presidente da Associação, Paulo Castelo Branco, o momento é difícil, entretanto, o anúncio do nome da nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Maria Silvia Bastos Marques, “diminui a expectativa negativa”.  “O governo [da presidente afastada Dilma Rousseff] conseguiu tirar o brilho da atividade produtiva”, lamenta. 

Durante o discurso realizado nesta terça-feira (17) na cerimônia de abertura da Mecânica 2016, Branco enfatizou que o principal erro do governo até então é oferecer “incentivos exclusivos ao consumo”. Além disso, ressaltou pontos que considera essenciais para que haja uma melhora no mercado.  

“Temos a obrigação de enxergar com mais abrangência os problemas reais e custosos de infraestrutura que nos acostumamos a enfrentar. É hora também de deixar de lado o conceito mal concebido de que a importação de máquinas prejudica a indústria nacional. Equipamentos importados fornecem tecnologias que ainda não possuímos aqui. Tecnologias que ajudam as fábricas instaladas no Brasil a produzir mais e com mais qualidade. A tornarem-se mais competitivas, tanto dentro do Brasil como nas exportações. [...] Nosso objetivo é capacitar as fábricas para suprir a demanda doméstica”, disse Branco em seu discurso.


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Impactos da crise

Na noite de ontem (17), empresários se reuniram para discutir os impactos da crise na indústria em evento realizado, dentro da Mecânica, pela Abimei.  O economista Alexandre Schwartsman intermediou o debate.
“Não creio que o novo governo será capaz de resolver tudo, mas se algumas reformas forem pelo menos iniciadas, já será excelente”, disse o moderador, que deu uma palestra no início do evento, apresentando um cenário econômico do país e algumas perspectivas para os próximos anos.

 A opinião foi compartilhada pelos demais painelistas, que acreditam no início de uma recuperação, mas concordam que o Brasil precisa passar por mudanças estruturais profundas. “A dúvida é se a população está pronta para o que precisa ser feito, como a reforma da previdência e da saúde”, argumentou Alcides Braga, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR).

Por outro lado, Schwartsman acredita que os problemas econômicos que o país enfrenta hoje não se devem somente aos últimos anos, mas a problemas estruturais de longo prazo. “Temos alguns gargalos em mercado de trabalho, por exemplo, e na previdência, que não serão de resolução rápida. Mas é essencial que se comece”, afirmou.

O evento contou com a presença de diversas entidades, como o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a Abraciclo (representante do segmento de fabricante de motocicletas) e da ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), além do prof. Otto Nogami, economista e consultor da ABIMEI. 

“As reformas são importantes, essenciais, mas se eu pudesse dar dois conselhos à nova equipe econômica eles seriam para não esquecer da educação básica, que é a base de tudo, e para olhar para o que chamo de infraestrutura de bem estar social, em áreas como a saúde. Com essa base coberta, é certo que a produtividade do país vai aumentar”, explicou o economista.




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