John Deere anuncia 170 demissões

Empresa alegou “adequação ao mercado” em comunicado.


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A John Deere de Horizontina deu início nesta quarta-feira à demissão de 170 trabalhadores da unidade, que fabrica colheitadeiras e plantadeiras. O motivo alegado pela empresa foi “adequação à volatilidade do mercado brasileiro” diante do cenário. Em nota, a montadora destacou ainda que anunciou aos funcionários um plano de demissão voluntária. Em relatório trimestral de finanças, publicado em 13 de agosto, a empresa havia informado previsão de queda de 15% nas vendas da indústria de máquinas agrícolas na América do Sul. 

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Horizontina, Irineu Schöninger, “nada justifica o desligamento de tantas pessoas”. Segundo ele, a empresa apenas comunicou a decisão ao sindicato nessa terça-feira alegando que não há perspectiva de boas vendas. As 170 dispensas se somam a outros 140 desligamentos de funcionários, temporários e aposentados, realizados em agosto e setembro. 

Conforme informações do sindicato, no auge da produção, a unidade chegou a fabricar, até meados de setembro, 22 colheitadeiras/dia. Com as demissões, a John Deere informou ao sindicato que deve reduzir este número para 14. Contudo, a preocupação de Schöninger é com a carga de trabalho, já que atualmente 120 funcionários estão afastados por motivo de saúde. O sindicato vai aguardar as rescisões, previstas para ocorrerem até esta sexta, para decidir que providência tomar. Entre as possibilidades está ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Também haverá tentativa de audiência no Ministério Público do Trabalho. 

Segundo informações da assessoria de comunicação da empresa, a unidade de Horizontina tem 1,8 mil funcionários. O sindicato dos trabalhadores, embora não tenha um dado oficial, questiona este número. 


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Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas agrícolas (Simers), Claudio Bier, o movimento já era esperado visto que 2013 foi um ano excepcional e de euforia em que as montadoras contrataram para atender à demanda. Contudo, “em 2014 a situação está mais difícil”, avalia. Segundo ele, este cenário de incertezas e “desânimo para o empresariado” não está sendo vivenciado só pelas empresas de máquinas agrícolas. 

Confira o posicionamento da John Deere sobre as demissões 

“Em seu Relatório de Finanças 3º Trimestre Ano Fiscal 2014, publicado em 13 de agosto, a Deere&Company comunicou previsões de queda de 15% nas vendas da indústria de máquinas agrícolas na América do Sul, em relação aos altos índices atingidos em 2013. Diante deste cenário, e apesar de todos os esforços, a John Deere Brasil informa que, para adequação à volatilidade do mercado brasileiro, reduziu hoje 170 profissionais no quadro pessoal da fábrica de colheitadeiras em Horizontina (RS).

Na tarde de 30.09.2014, a companhia anunciou aos funcionários um Plano de Demissão Voluntária.

Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), as vendas do mercado nacional de máquinas agrícolas caíram 18,9% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Com mais de 30 anos de história no Brasil, a companhia reitera que sempre teve como prática conduzir seus processos de forma ética e transparente, principalmente no que se refere à negociação de alternativas trabalhistas com os próprios funcionários, sindicatos e entidades de classe.

A John Deere ressalta ainda que manterá sua política de investimentos no Rio Grande do Sul, para que as duas unidades localizadas no estado continuem atingindo níveis de produtividade com excelência, oferecendo as mais modernas tecnologias agrícolas aos produtores rurais.”

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