Exportações de carros para a Argentina caem 34%

As montadoras de veículos instaladas no Brasil perderam um terço das exportações que realizavam até um ano atrás à Argentina em decorrência da crise e das restrições a importações do país vizinho. Além de contribuir, junto com a derrocada do consumo interno, para a queda de quase 17% da produção de veículos, o ocaso argentino tem agravado o déficit do Brasil nas transações comerciais envolvendo produtos automotivos, já que também atinge em cheio os embarques das autopeças brasileiras.

Números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, no primeiro semestre, houve queda de 34,1% das exportações de veículos ao mercado argentino, destino de 73,4% dos embarques realizados pelas montadoras brasileiras. Em igual período, as vendas de autopeças produzidas no Brasil ao país vizinho caíram, em valores, 25,6%.

São números que ajudam a explicar por que o déficit comercial da indústria automobilística nacional - que ainda inclui implementos de caminhões, tratores agrícolas e máquinas rodoviárias - avançou mais de US$ 287 milhões neste ano, chegando a US$ 6,76 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses, apesar da queda de 9% das importações.

Dirigentes de montadoras brasileiras dizem que a fase mais crítica nas relações comerciais com a Argentina começou a ser superada quando o governo de Cristina Kirchner aceitou retirar limites a importações de automóveis para negociar um novo acordo automotivo com o Brasil.

Entre as medidas para conter o esvaziamento de suas reservas internacionais, a Casa Rosada vinha, até meados de abril, estabelecendo um teto para as compras de automóveis e peças do exterior - prejudicando assim os carros brasileiros, que respondem por cerca de metade dos veículos consumidos na Argentina.

O corte, equivalente a 27,5% das importações no ano anterior, já foi retirado e a Argentina se comprometeu a não mais restringir a entrada dos produtos de seu parceiro no Mercosul como contrapartida a uma revisão do acordo automotivo que deu maior abertura a suas empresas no mercado brasileiro. "Agora, é o mercado que manda", disse, recentemente, Luiz Moan, presidente da Anfavea, a entidade que abriga as montadoras brasileiras.


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O problema é que o "mercado" está em baixa do outro lado da fronteira. Segundo a Adefa, a associação das montadoras argentinas, as vendas de veículos no país recuam quase 34% neste ano. Na indústria automobilística brasileira, calcula-se entre 20% e 25% a queda das vendas no mercado argentino até dezembro. "A relação com a Argentina está melhor. O mercado, não", disse o vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb, em conversa com jornalistas na sexta-feira.

Para agravar o quadro, as montadoras brasileiras reclamam da falta de competitividade para brigar em outras praças internacionais. Além da Argentina, o setor está perdendo espaço no México e na África do Sul, seus outros dois grandes mercados no exterior. Entre os principais destinos, apenas Uruguai e Colômbia estão comprando mais carros do Brasil (veja gráfico). A expectativa é que a produção de veículos no país recue 10% neste ano.




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