Continental dobra linha de pneu para caminhões

Fábrica de Camaçari deve produzir 600 mil pneus por ano até 2017.

A Continental, um dos três maiores fabricantes de autopeças do mundo, está consumindo a última parte de recursos de um programa de investimento de US$ 210 milhões para concluir a expansão da capacidade de produção de pneus de caminhões na fábrica de Camaçari, na Bahia.

O projeto, congelado durante a derrocada da indústria de veículos pesados em 2012, foi retomado apesar da nova fase de baixa do setor. A linha, que inicialmente produzia até 300 mil pneus de carga por ano, já alcançou capacidade de 500 mil unidades e, conforme o cronograma da empresa, chegará a 600 mil pneus até 2017.

Para tanto, a subsidiária brasileira ainda tem à disposição cerca US$ 30 milhões do orçamento anunciado pela multinacional alemã em 2011 para o desenvolvimento do negócio de pneus no Brasil. Em 2013, já havia concluído o ciclo de expansão da linha de pneus para automóveis de passeio, onde a capacidade instalada subiu de 4 milhões para 6,5 milhões de unidades por ano.

O volume adicional, porém, não chega no melhor momento da indústria. Com a queda superior a 13% na produção de veículos no país, as vendas de pneus a montadoras recuam quase 11% neste ano, conforme números da Anip, a entidade dos fabricantes nacionais de pneus, que inclui todas as marcas. Acompanhando os ajustes feitos por seus clientes da indústria de veículos, a Continental concedeu férias coletivas aos operários da fábrica baiana na segunda quinzena deste mês.

Mesmo assim, a empresa informa que está conseguindo compensar o menor consumo das montadoras com novos contratos na carteira e o melhor desempenho no canal de reposição, onde a demanda cresce cerca de 12% neste ano - de acordo com levantamento da Anip, com base em dados coletados até abril.

Entre os últimos acordos de fornecimento, os pneus da Continental vão equipar o novo Sandero, a ser apresentado no fim deste mês pela Renault, e a versão mais esportiva do Uno, o Uno Sporting, que está sendo reestilizado pela Fiat. "Quando se tem uma base de clientes que muda todo ano, você pode planejar crescimento, independentemente do desempenho positivo ou negativo do mercado", afirma Renato Sarzano, diretor superintendente, responsável pela divisão de pneus da Continental no Brasil.


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Segundo ele, a empresa, perto de finalizar o programa de expansão em Camaçari, está pronta para a demanda prevista para, pelo menos, os próximos três anos. A meta é crescer a um ritmo médio de 10% ao ano daqui para frente.

Em 2014, a expectativa é de um resultado um pouco mais modesto, com alta de 8% do faturamento em relação a 2013. "Até maio, tivemos um desempenho alinhado a esse plano", afirma Sarzano. O executivo, contudo, diz que há dúvidas em relação aos números de junho e julho, quando o consumo de pneus no varejo será influenciado pela realização da Copa do Mundo, além das paradas de produção das montadoras.

De qualquer forma, a Continental se acostumou nas últimas duas décadas a guinadas nos rumos do negócio de pneus no Brasil. Sua primeira fábrica no país seria construída no fim dos anos 90, no Paraná, para suprir a Mercedes-Benz, que na época montava o compacto Classe A na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. No fim, o projeto não saiu do papel e, em 2005, a Mercedes deixou de produzir o carro na unidade mineira.

Em Camaçari, o projeto vingou em 2006, mas, também nesse caso, a Continental teve que revisar as estratégias. A ideia inicial era destinar 80% da produção a mercados da América do Norte. O objetivo, no entanto, se tornou inviável em meio a pesados custos de produção no Brasil e a valorização do real. Hoje, as exportações não chegam a responder por 20% da produção de pneus da Continental na Bahia.

Neste ano, a empresa viveu uma nova experiência com o patrocínio da Copa no país. Atrasos nas obras deixaram diretores da matriz na Alemanha apreensivos. Mas, lembra Sarzano, nada muito diferente do que foi o Mundial na África do Sul, em 2010, também patrocinado pela multinacional. Seja qual for o resultado do torneio, a Continental espera terminar a Copa com sua marca mais conhecida entre potenciais consumidores de pneus.




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