Eletrosul inaugura usina de energia solar inédita na América Latina

Com investimentos de R$ 9,5 milhões, projeto será o primeiro completamente integrado a um prédio na região.

Quem passa em frente à sede da Eletrosul, em Florianópolis, pode reparar em um mar de placas pretas instaladas na cobertura do estacionamento e do edifício principal da empresa. Coloridas pelo reflexo do céu, as peças formam um sistema inovador: no dia 27 de junho, a empresa irá inaugurar a maior usina de energia solar integrada a um edifício da América Latina. São 4.144 painéis fotovoltaicos instalados na empresa — uma área de 8,3 mil metros quadrados com capacidade de gerar energia para cerca de 540 residências. 

O coordenador do Projeto Megawatt Solar, Rafael Takasaki, ressalta que a energia elétrica gerada a partir dos painéis fotovoltaicos irá para a rede elétrica local e será vendida a consumidores livres — como grandes empresas e shoppings. A previsão é de que o primeiro leilão ocorra em agosto e que sejam vendidos 800 MWh/ano com entrega prevista para janeiro de 2015. 

Takasaki explica que a potência instalada da usina será de 1 megawatt-pico (MWp) e terá capacidade para produzir aproximadamente 1,2 gigawatt-hora (GWh) por ano. 

Planta piloto do projeto / Imagem: Divulgação/Eletrosul

O Projeto Megawatt Solar teve uma parceria com o governo da Alemanha, país que detém um terço do mercado mundial de energia solar. O banco de fomento alemão KfW financiou o empreendimento – o investimento total foi de R$ 9,5 milhões. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Ideal) também contribuíram com apoio técnico.

O diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul, Ronaldo dos Santos Custódio, ressalta que levantar crédito e realizar a licitação foram as principais dificuldades do projeto, devido ao ineditismo. Os trabalhos começaram em 2007. 


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"Tivemos dificuldade até na instalação de painéis e inversores, pois as pessoas não tinham experiência neste trabalho. Foi um aprendizado", diz Custódio.

Agora a Eletrosul quer compartilhar a experiência com outros interessados. Para isso, a usina terá passarelas no telhado para visitação. 

Um dos grandes obstáculos para a popularização da energia solar ainda é o custo elevado. O silício, por exemplo, usado na fabricação das células fotovoltaicas é importado.

"O Brasil não domina a tecnologia de purificação do silício com foco nas aplicações fotovoltaicas e precisa importar o material", afirma Takasaki, coordenador do projeto.

Investimento para purificação do silício

Para consolidar a cadeia de energia solar e baratear os custos, a Eletrosul investiu mais de R$ 20 milhões em pesquisas para purificação do silício. O estudo conta com a parceria da Fundação Educacional de Criciúma (Fucri) – instituição mantenedora da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) — e com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). As pesquisas, que começaram em 2012, devem ser concluídas em 2015.  

Além disso, a Eletrosul conta com uma parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) para a fabricação de painéis fotovoltaicos.

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