Plásticos poderão ser feitos a partir de plantas como o milho

Cientistas convertem glicose em composto para o produção de combustível e poliésteres

Fonte e imagem: Inovação Tecnológica - 27/06/07

Plásticos não dão em árvores? Talvez não, mas as árvores podem ser um bom começo. Ainda não será tão fácil quanto colher uma fruta, mas cientistas descobriram uma forma que transformar a glucose - o tipo de açúcar mais abundante na natureza e presente em todas as plantas - em HFM, um composto químico que pode ser quebrado em componentes para fabricação de produtos que hoje só podem ser feitos a partir do petróleo.




Plásticos a partir de plantas


Substituir o petróleo como fonte dos plásticos tem sido um objetivo longamente perseguido por uma legião de químicos no mundo todo. A descoberta coube à equipe do Dr. Conrad Zhang, dos Laboratórios Pacific Northwest, Estados Unidos.

"O que nós fizemos que ninguém havia sido capaz de fazer foi converter a glucose diretamente e com alto rendimento em um composto primário para a produção de combustível e poliésteres," diz Zhang.

Esse composto primário é o HMF, a sigla para HidroxiMetilFurfural. Trata-se de um derivado dos carboidratos, como a glucose e a frutose, visto como um substituto promissor para compostos químicos à base de petróleo. Só que, até agora, sua conversão apresentava baixa produtividade e gerava vários subprodutos indesejáveis, exigindo custosas etapas de purificação e tornando o produto final sem condições de competir com os plásticos à base de petróleo.

Biorrefinaria

Com a nova técnica, os pesquisadores conseguiram obter rendimentos de até 70 por cento quando trabalhando com a glucose e de até 90 por cento quando partindo da frutose, restando apenas traços de ácido como impurezas.

O processo de conversão utiliza um sistema catalítico não-ácido contendo catalisadores de cloreto metálico em um solvente capaz de dissolver a celulose. O solvente - um líquido iônico - permite que os cloretos metálicos convertam os açúcares para HMF. Os líquidos iônicos oferecem um benefício adicional: eles são reutilizáveis, o que significa que o processo não gera água poluída, como acontece com processos similares.

Os cloretos metálicos pertencem a uma classe de materiais iônico-líquido-solúveis chamados halóides. Eles são bons em gerar HMF a partir da frutose, mas não da glucose. Os cientistas então descobriram que o cloreto de cromo consegue fazer a conversão a partir da glucose a baixa temperatura (100º C) e gerando pouquíssimas impurezas.
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