Bosch vai investir R$ 108 milhões na América Latina este ano

Nos últimos dez anos, a Bosch investiu cerca de R$ 2 bilhões de reais em operações na América Latina

O grupo Bosch, um dos maiores do setor de autopeças no mundo, anunciou nesta terça-feira (20) que vai investir R$ 108 milhões este ano em negócios na América Latina, onde o Brasil representa quase 90% das vendas.

Os recursos serão destinados, principalmente, ao desenvolvimento ou nacionalização de sistemas automotivos, em linha com as exigências de inovação, eficiência energética e uso de conteúdo local previstas no novo regime automotivo, conhecido como Inovar-Auto.

O programa da Bosch inclui o início da produção de sensores que fazem a leitura dos gases de escape dos automóveis e dispositivos responsáveis pelo acionamento do sistema conhecido como Start/Stop, que desliga o motor durante longas paradas no trânsito, religando quando o motorista continua a viagem. Essas tecnologias, segundo a Bosch, começam ser fornecidas, ainda neste ano, pela fábrica da empresa em Campinas, no interior paulista.

Nos últimos dez anos, a Bosch investiu cerca de R$ 2 bilhões de reais em operações na América Latina. Em 2013, foram desembolsados R$ 104 milhões na região, em recursos que incluíram a produção local dos sistemas eletrônicos que controlam a estabilidade dos carros, conhecidos por ESP, na sigla em inglês.


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A produção no Brasil desses equipamentos segue as regras do novo regime automotivo, que, como contrapartida de incentivos fiscais concedidos a montadoras, cobra delas o consumo de autopeças locais, investimentos mínimos em desenvolvimento tecnológico e ganhos de eficiência energética nos veículos produzidos no país. 

Faturamento

No ano passado, a Bosch faturou R$ 4,4 bilhões no Brasil, com um crescimento de 2,3% em relação ao resultado de 2012.

O montante corresponde a 86% das vendas da empresa na América Latina, região que registrou receita líquida de R$ 5,1 bilhões em 2013, uma alta de 8% em números que excluem os resultados no México e de joint ventures nas quais a Bosch tem participação de 50%.

No balanço em euros divulgado pela multinacional alemã, contudo, o faturamento na região caiu 3,6% em virtude da desvalorização do real.

Cerca de 69% do resultado na América Latina, ou R$ 3,5 bilhões, vieram da divisão automotiva. Outros 18% foram gerados pelos negócios de bens de consumo — como geladeiras —, 8% por equipamentos de tecnologia industrial e os 5% restantes divididos entre negócios nas áreas de energia e sistemas de segurança predial.

Segundo a empresa, 22% do resultado obtido no Brasil veio das exportações, que uma década atrás chegavam a representar mais da metade do faturamento.

Nos últimos dez anos, as vendas da Bosch na América Latina mais que dobraram e a empresa tem como meta duplicar novamente o faturamento nesta década. Mas, para este ano, as perspectivas da empresa apontam para um desempenho bem mais modesto, em razão da queda nas encomendas de montadoras no Brasil e na Argentina.

A expectativa da Bosch é fechar 2014 com estagnação ou, na melhor das hipóteses, crescimento de 2% das vendas na região, com o desempenho negativo da indústria automobilística nesses dois países sendo compensando por resultados melhores nas demais divisões de negócios e em outros mercados sul-americanos, como Chile, Peru e Colômbia. 




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