Guerra Efetiva

Wilson Sergio Martins Dantas 

Nas operações de guerra, onde haja no campo de batalha mil carros rápidos, dez mil pesados e cem mil soldados usando armaduras flexíveis de malha, com provisões suficientes para transporta-los por mil li (100km), a despesa na frente e na retaguarda, incluindo divertimento de convidados, artigos menores como cola e tinta e importâncias gastas em carros e armaduras, atingirá o total de mil onças de prata por dia. Esse é o custo de organização de um exército de cem mil homens.

 Em um planejamento estratégico, os custos (maquinário, combustível, mão-de-obra, insumos, treinamento, alimentação, marketing e administração) devem estar muito bem elaborados. Quando nos empenhamos numa guerra verdadeira, se a vitória custa a chegar, as armas dos soldados tornam-se pesadas e o entusiasmo deles enfraquece. Se sitiarmos uma cidade, gastaremos nossa força e se a campanha se prolongar, os recursos do Estado não serão iguais ao esforço.

Nunca esqueça: quando suas armas ficarem pesadas, seu entusiasmo diminuído, a força exaurida e seus fundos gastos, outro comandante aparecerá para tirar vantagem da sua penúria. Então, nenhum homem, por mais sábio, será capaz de evitar as conseqüências que advirão. Quando notoriamente, as intempéries provocadas por um mal planejamento, levam à desmotivação e descrédito das partes interessadas (fornecedores, clientes, colaboradores e funcionários), isso se torna vantagem e oportunidade para que os concorrentes percebam e tomem parte nas ações para superar-nos. Assim, apesar de termos ouvido falar de precipitações estúpidas na guerra, a inteligência nunca foi associada a decisões demoradas.

Não há, na história, notícia de um país que se tenha beneficiado com uma guerra prolongada. Só quem conhece os efeitos desastrosos de uma guerra longa pode compreender a suprema importância da rapidez em levá-la a termo. Deve haver agilidade na análise dos problemas e tomadas de decisão. Quando uma organização não define claramente seus objetivos e prazos para cumpri-los, a velocidade com que as coisas começam a se desfazer é tão rápida que quando se percebe estará à beira do caos. Só quem estiver familiarizado com os males da guerra, pode compreender perfeitamente o meio mais vantajoso de como prosseguir com ela.

Um general capaz não faz um segundo recrutamento nem carrega mais de duas vezes seus vagões de suprimentos. Uma vez declarada a guerra, não perderá um tempo precioso esperando reforços, nem voltará com seu exército à procura de suprimentos frescos, mas atravessará a fronteira inimiga sem demora. O valor do tempo - isto é, estar ligeiramente adiante do adversário - vale mais que a superioridade numérica ou os cálculos mais perfeitos com relação ao abastecimento. 
 
Fazendo uma análise minuciosa e precisa do mercado ajuda a compreender e a definir as estratégias para continuar atuando. Uma organização bem dirigida estabelece em seu planejamento a previsão de todos os elementos participantes dos custos, o replanejamento significa retrabalho e, portanto perca de tempo, e menor produtividade. Antecipar-se e promover inovações nos produtos e serviços é que determinam a vantagem competitiva quanto ao atendimento aos clientes. Traga material bélico, mas tome as provisões do inimigo. Assim, o exército terá alimentação suficiente para suas necessidades.

A pobreza do erário público obriga um exército a ser mantido com contribuições vindas de longe. Contribuir para a manutenção de um exército distante leva o povo ao empobrecimento. Por outro lado, a proximidade de um exército provoca uma subida nos preços e preços altos sugam os bens do povo. Quando isso acontece, ele sofre pesados tributos. Com essa perda de recursos e exaustão de forças, os lares ficarão vazios e suas rendas dissipadas; ao mesmo tempo, as despesas do governo com carros quebrados, cavalos abatidos, peitorais e capacetes, arcos e flechas, lanças e escudos, manteletes protetores, animais de tiro e carroças pesadas, atingirão quase a metade da arrecadação total.

Possuir um bom produto e uma carteira de clientes é perfeitamente louvável, porém, conquistar novos clientes é uma questão de sobrevivência. Investir em treinamento, mas não dar condições de obter resultados, levam a crer que o se ganha com isso serão somente sacrifícios, em vez de lucros, existirá um déficit difícil de ser reconquistado. Um general inteligente estabelece um ponto de reabastecimento por saque no território inimigo. Uma carreada de provisões inimigas é equivalente a 20 próprias e da mesma forma um único picul das suas provisões a 20 das de suas próprias reservas. Uma empresa bem dirigida sabe da diferença entre clientes mantidos e a reconquistar.

A reconquista de clientes é trabalhosa e, portanto cara, deve-se estabelecer formas de fidelizar esse cliente e para considera-lo como lucro fixo. Agora, no que toca a matar o inimigo, nossos soldados devem ser levados à ira. Para que percebam a vantagem de derrotar o adversário, devem também ser recompensados. Assim, quando se captura bens do inimigo, esses bens devem ser usados como prêmios, de forma a que todos os soldados tenham um forte desejo de lutar, cada um por sua conta.

Portanto, nos combates de carros, quando dez ou mais deles tenham sido tomados, devem ser dados como recompensa aos que primeiro os tomaram. Nossas próprias bandeiras devem ser substituídas pelas do inimigo e os carros misturados e usados em conjunto com os nossos. Os soldados capturados devem ser mantidos e tratados com bondade. Chama-se a isso usar o inimigo aprisionado para aumentar nossa própria força.

É preciso ter uma política de remuneração dos funcionários bem definida e atraente, evita-se assim o descontentamento, conservando-se os talentos existentes e atraindo novos. Fazer com que todos vistam a camisa de forma individual (ganhos de comissões) e para o bem coletivo (recompensas) na empresa é uma ótima estratégia de marketing interno. Funcionários vindos da concorrência devem ter uma idéia apaixonada sobre a empresa para que possam dizer orgulhosamente aos quatro ventos o quanto gostam de trabalhar na mesma.

Na guerra, portanto, deixe que seu grande objetivo seja a vitória e não campanhas extensas. Por isso deve ser sabido que o comandante dos exércitos é o árbitro do destino do povo, o homem de quem depende que a nação fique em paz ou em perigo. O mercado exige que os administradores das organizações sejam coerentes com o planejamento e o cumprimento de suas metas nos prazos estabelecidos, prevendo corretamente os custos envolvidos. Antecipar-se à concorrência contribui para que estas mesmas organizações possam ter continuidade, com seus recursos humanos e interessados satisfeitos e garantindo a sua sobrevivência.  
 
 

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