Autopeças: rombo da balança comercial supera US$ 3 bi

Em abril foi registrado o maior déficit da história do setor.

Ao mesmo tempo em que o Inovar-Auto, a política industrial do setor automotivo em vigência desde o início deste ano, obriga as montadoras a elevar as compras nacionais, as importações de autopeças não param de crescer. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), reunidos pelo Sindipeças, demonstram que a balança comercial de componentes automotivos acumula o expressivo déficit de US$ 3,1 bilhões nos quatro primeiros meses de 2013, com avanço de nada menos que 66,4% sobre o mesmo período do ano passado. O número negativo já é a metade do acumulado em 2012 inteiro, quando o rombo chegou a US$ 5,8 bilhões. 
 
De janeiro a abril as importações somaram US$ 6,4 bilhões, quase o dobro do que foi exportado, numa expansão de 20,7% ante o primeiro quadrimestre de 2012. As exportações totalizaram US$ 3,3 bilhões, em queda de 4,4% na mesma base de comparação. 
 
Em abril foi registrado o maior déficit da história do setor, com importações de US$ 1,89 bilhão e exportações que somaram cerca de metade disso, US$ 940,3 milhões. Ainda assim, abril foi o primeiro mês do ano em que houve crescimento das vendas externas de autopeças, de 7,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas as compras externas aumentaram muito mais na mesma comparação: 41,7% – e houve expansão em todos os primeiros quatro meses de 2013. 
 
Em 12 meses terminados em abril, o déficit da balança de autopeças atinge US$ 7,1 bilhões, com importações de US$ 17,4 bilhões, ou US$ 1 bilhão a mais do que foi importado durante 2012. Em contrapartida, as exportações não saem do lugar: anualizadas em 12 meses, são de US$ 10,3 bilhões, praticamente o mesmo número da soma do ano passado. 
 
Países
 
Os maiores exportadores de peças para o Brasil continuam sendo, nesta ordem, Alemanha, Estados Unidos e Japão, com mais de 30% de participação. Todos os três tiveram elevações nas vendas em torno de 10% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2012. Quem teve o maior crescimento de embarques de autopeças para portos brasileiros foi a Hungria, de 137,4%, ficando na 16ª posição. A Coreia, quarta maior exportadora de peças, registrou de janeiro a abril expressiva expansão de 97,8%.
 
A Argentina segue sendo a maior importadora de componentes automotivos brasileiros, com 39,3% das compras e crescimento de quase 7% nos primeiros quatro meses de 2013. Os Estados Unidos e o México são o segundo e terceiro maiores importadores, com participação de 12,4% e 8,7%, respectivamente, mas as vendas para esses mercados caíram mais de 20% em ambos os casos. 
 
Veículos Prontos
 
Apesar de toda a sobretaxação adotada sobre veículos importados, a balança brasileira também segue negativa para o comércio exterior de carros e ônibus; só os caminhões continuam com saldo positivo. 
 
De janeiro a abril foram as importações de carros somaram US$ 3,5 bilhões, enquanto as exportações foram de US$ 1,8 bilhão, com déficit de US$ 1,7 bilhão, valor 25% menor do que no mesmo período de 2012. 
 
As vendas externas de ônibus totalizaram US$ 56,8 milhões e as importações US$ 75,8 milhões, resultando em saldo negativo de US$ 19 milhões, invertendo o superávit de US$ 14,3 milhões observado no primeiro quadrimestre do ano passado. 
 
Somente o comércio exterior de caminhões continua sendo superavitário para os fabricantes instalados no Brasil. Nos primeiros quatro meses do ano as exportações de US$ 431,5 milhões superaram em US$ 312,4 milhões as importações de US$ 119,1 milhões. O saldo positivo, porém, sofreu recuo de 5,7% na comparação com o mesmo período de 2012. 
 
Considerando todo o comércio exterior do setor automotivo nacional, o déficit deste ano está quase US$ 1 bilhão maior do que nos mesmos quatro meses do ano passado. Incluindo na conta veículos leves e pesados, autopeças, implementos rodoviários, carrocerias e máquinas agrícolas e de construção, as importações do primeiro quadrimestre somam US$ 11,2 bilhões e as exportações US$ 7 bilhões, resultando em saldo negativo no período de US$ 4,2 bilhões.
 
Pedro Kutney/ Automotive Business



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