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Gladis Costa    |   12/01/2021   |   Marketing e Comportamento   |  

2020: O ano que a tecnologia invadiu nossa praia

A tecnologia tem sido estratégica por conta da pandemia, mantendo as pessoas em contato e garantido a produtividade das empresas.

Como meu último texto de 2020, não quis falar sobre coisas tristes, como aqueles números atualizados diariamente, aquele medicamento que não chega ou sobre pessoas que vivem como se nada estivesse acontecendo. Queria falar de tecnologia – e do seu uso durante este período que prefiro não mencionar o nome – e que representou uma das soluções mais práticas e relevantes  para aqueles problemas que você sabe, muita gente no corredor, bate-papos no café e baias próximas demais, muita gente no transporte, estas coisas nada saudáveis atualmente. Daí todo mundo foi para casa. Pais, filhos, todos trabalhando e estudando ao mesmo tempo. Juntos e misturados e conflitos a granel.

Queria falar sobre o que a tecnologia faz com a gente – porque tem coisa que é como conserto de máquina de lavar – a gente chama o técnico, ele faz o serviço, você paga, a pessoa vai embora e pronto. Tudo resolvido -  no trail paper, quer dizer,  não tem aquele histórico  que a tecnologia cria – leia-se todos os passos que você dá. Tem hora que é útil, tem hora que é um horror.

Vamos falar do que realmente faz falta – e que a tecnologia  tenta suprir -  o contato, mas o que era real, dinâmico, olho no olho, abraços, apertos de mão e  beijinhos viraram  bits e bytes – com um guardião tecnológico no meio para monitorar nossa vida ou o business  em tempo real. Começa com uma série de perguntas para testar o canal  “oi, tá me vendo? tá me ouvindo? tem um avião passando aí? tou escutando um cachorro latir? Nossa, quem tá gritando aí do lado? que fofa esta gatinha sua, que roupa é esta que você está usando?”. Nossa, o que teve de promoção de pijamas é brincadeira, porque camisa e blusinha todo mundo tem, não é?


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Foi então que a tecnologia entrou na nossa casa como aquele vizinho que vai devolver o prato e dá uma olhada rápida no seu fogão para ver se existe algo fervendo, elogia o cheirinho de limpeza, pergunta como você consegue deixar o vidro tão brilhante, comenta como aquela pizza instantânea – que ela viu você abrindo - é uma “maravilha para quem não gosta de cozinhar”.  Ou seja, em três minutos ela descobriu que você gasta mais em produtos de limpeza do que realmente cozinhando algo, digamos saudável. Sabe  aquele arzinho de intromissão bem inadequado  – e ainda, faz uma horinha para que você passe aquele cafezinho ma-ra-vi-lho-so que cheira tão bem.  É invasivo que fala?

Eu adoro a tecnologia, mas como usuária  quero encontrar algo, mas não quero ser encontrada, lembrada, convidada, alertada, avisada, seguida e perseguida. Quero apenas usar o que preciso, mas, com esta história que vocês já sabem, muito consumo virou online e muitos dados foram transmitidos para estas transações, mas quando você começa a preencher um formulário, ele não só põe seu e-mail, mas já coloca a  senha, aí eu fico preocupada. É como se alguém dissesse: eu sei onde você mora, sei o que você fez, comprou, pesquisou, onde abandonou o carrinho e desistiu da compra, quais sites você olhou e até sugere outros itens, baseados nas pesquisas que eu fiz.

Desta parte da tecnologia eu não gosto, principalmente, porque tenho que deletar diariamente dezenas de e-mails com ofertas de produtos que nunca vou comprar  - "caneta espiã, lanterna militar?", e se você pedir para que seu nome seja excluído, devem pedir para que um funcionário coloque no 6º arquivo , que para mim é como aquele cesto que fica na área de trabalho - deixam lá, mas nunca será excluído permanentemente. Dado adquirido, trocado, comprado ou permutado é de domínio público e permanente e mesmo que ele seja seu, você não tem mais controle sobre ele. Cadê minha privacidade que estava aqui?

Uma história fresquinha: nesta manhã resolvi mandar um vale presente para uma amiga. Na minha visão, era entrar no site, colocar o e-mail da pessoa, pagar e pronto. Não é bem assim, você tem que fazer um cadastro, com todos os seus dados, endereço, cartão de crédito, como se estivesse comprando um carro...  Desisto do processo virtual e peço a ajuda da assistente por telefone, porque não consigo entender a dinâmica da coisa, e aí, conversamos por uns 15 minutos, porque, segundo ela, o processo é muito rápido. Agora, 8 horas depois, recebo uma ligação da loja pedindo para confirmar a compra, o “processo está sendo finalizado”, diz a moça. Não posso acreditar. Seria melhor ter comprado na loja física, poderia tomar um café e ver pessoas, mas por conta desta situação sobre a qual não falaremos, esta seria uma decisão nada saudável, na verdade é um risco muito sério. Entendedores entenderão.

Que 2021 seja leve, livre e solto!

Abraços

Gladis

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Gladis Costa

Gladis Costa é profissional da área de Comunicação e Marketing, com vivência em empresas globais de TI. É fundadora do maior grupo de Mulheres de Negócios do LinkedIn Brasil, que conta com mais de 6200 profissionais. Escreve regularmente sobre gestão, consumo, comportamento e marketing. É formada em Letras, e tem pós graduação em Jornalismo, Comunicação Social e MBA pela PUC São Paulo. É autora do livro "O Homem que Entendia as Mulheres", publicado pela All Print.


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