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  |   19/11/2015   |   Marketing e Comportamento   |  

Empreendedorismo e Inovação: Os 4 estágios de crescimento de uma startup

Empreender não é fácil. É uma atividade que exige paciência e muito trabalho. Mas existem empresas que podem auxiliar o empreendedor a colocar seu business no ar.

Conheci o Pedro Waengertner no evento da HSM ExpoManagement, que aconteceu de 9 a 11 de novembro em São Paulo. A palestra do co-fundador da Acelaretch explorou um tema muito estratégico para quem empreende no Brasil:  “Os 4 Estágios de Crescimento de uma Startup”. A palestra apresentou estratégias que mostram como uma empresa pode ser viável, através de análises, testes, validações e muita paciência e trabalho incansável. Empreender não é fácil, mas é factível e o mercado é promissor, especialmente para projetos voltados ao agronegócio, aplicações para o mercado financeiro (fintech) e varejo tradicional.

A Aceleratech, considerada a melhor aceleradora da América Latina de acordo a LATAM Founders, grupo composto por empreendedores e investidores de 19 países, existe há três anos e auxilia startups a colocarem a mão na massa, através de mentoria, worskshops, treinamento, co-working e claro, acesso a investidores. Seu core business é preparar as startups para conquistarem mercado mais rapidamente. Seu portfólio já conta com 70 empresas e mais da metade já faturando.

A palestra apresentou os 4 estágios pelas quais as startups passam até se tornarem viáveis. A primeira fase é o Uso – que evidencia a existência de um produto com as carateristcas MVP – ou Minimum Viable Product - ou seja, já existe uma versão do produto com funcionalidades mínimas para que possa ser colocado no mercado.  A segunda fase é a “Compra”, ou seja, é a versão 1.0 deste produto na qual existe um histórico de compras repetidas. O produto está atendendo a uma necessidade do mercado e está praticamente pronto para o processo de monetização. A terceira fase é a “Economics”, na qual serão analisados os modelos de negócio, basicamente responder como será efetuada a compra do produto, frequência e quais são as principais ferramentas de marketing utilizadas para captação de novos clientes.

Este cliente vai comprar, alugar, assinar ou pagar por uso? A quarta fase é a “Receita”, ou seja, a startup está pronta para decolar. Até este estágio, ela já passou por um ciclo que pode durar até dois anos. As estratégias já foram traçadas, o produto já foi otimizado e já se conhece o mercado e os hábitos de consumo dos clientes-alvo.

Numa rápida conversa com o Pedro, obtive mais detalhes sobre o fantástico mundo do empreendedorismo.

Pedro, a gente já conhece as startups, mas temos ouvido falar bastante das scaleups? Qual é diferença?

- Startups são as empresas emergentes, pequenas, mas com potencial de crescimento em longo prazo. As scaleups são empresas com grande e rápido potencial de crescimento porque seu produto é escalável, replicável, tem a vantagem do crescimento, mas mantendo estáveis seus custos fixos, ou seja, tendo uma receita crescente de forma rápida. Ela tem mais lucro, porque seu produto não gera tanta despesa para viabilizar seu crescimento. Normalmente, são alavancadas pela tecnologia e inovação.

Quais são os fatores que determinam o sucesso de uma startup?

- Primeiramente, um bom time - pessoas competentes e que aprendam rápido, que pensem grande, que fazem acontecer; depois é preciso realizar uma boa análise do mercado de modo que se conheça seu verdadeiro potencial; depois que se baseie num bom modelo de negócio, ou seja, como vamos vender o produto/serviço? Através de um marketplace, no qual a startup faz a intermediação do negócio, venda como serviço, assinatura ou pagamento por uso e finalmente, um bom produto, claro, que vai garantir o sucesso desta empresa. Quanto mais tecnologia e inovação agregadas, mais sucesso o empreendedor pode ter em sua jornada.

E o que pode fazer uma empresa não dar certo? O que falha no meio do caminho?

- Em primeiro lugar, desentendimento entre os sócios. É preciso escolher os sócios com cuidado. Em segundo lugar, é preciso fazer um pé de meia, economizar muito antes de partir para o negócio, porque o processo completo de maturidade pode levar até dois anos, então, uma dica, economize antes de empreender. É preciso ter paciência, uma ideia genial nem sempre significa retorno imediato sobre o investimento ou a receita para o sucesso. Liderança é um fator essencial para quem empreende. Você vai interagir com vários profissionais ao longo do caminho. É preciso saber tomar decisões, delegar, assumir responsabilidades e principalmente saber motivar esta equipe.

Quem empreende mais: homens ou mulheres? Eles empreendem da mesma forma?

- As mulheres empreendem mais do que os homens, mas o brasileiro, de maneira geral é um empreendedor nato. Talvez por estar habituado a tanta adversidade, ele é naturalmente preparado para gerir seu próprio negócio, tem jogo de cintura e facilidade de networking, essencial para os negócios. A mulher tende a ser mais preocupada com o aspecto humano do negócio e empreende mais em casa do que o homem, talvez para evitar longas ausências do lar e também pelo seu perfil multitarefa. Também se sentem mais seguras em setores nos quais tem experiência prévia e gostam de ter um mentor por perto. O homem é mais tolerante ao risco e acredita que pode aprender na prática.

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Gladis Costa

Gladis Costa é profissional da área de Comunicação e Marketing, com vivência em empresas globais de TI. É fundadora do maior grupo de Mulheres de Negócios do LinkedIn Brasil, que conta com mais de 6200 profissionais. Escreve regularmente sobre gestão, consumo, comportamento e marketing. É formada em Letras, e tem pós graduação em Jornalismo, Comunicação Social e MBA pela PUC São Paulo. É autora do livro "O Homem que Entendia as Mulheres", publicado pela All Print.


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