Setor industrial está mais otimista em relação à recuperação, mostram pesquisas

Isso é o que indicam os resultados das pesquisas da FGV e CNI divulgados ontem (29)

O setor industrial se mostra otimista no início deste ano em relação à recuperação da produção no primeiro trimestre. Isso é o que indicam os resultados de dois indicadores divulgados ontem (29) - o Índice de Confiança da Indústria (ICI), da Fundação Getulio Vargas (FGV), e a Sondagem Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para Aloisio Campelo, superintendente-adjunto de ciclos econômicos da FGV, a estabilidade do ICI na passagem de dezembro para janeiro revela uma situação mais equilibrada do setor, com ânimo mais moderado no segmento de bens duráveis após a volta gradual do IPI, mas aceleração em outros setores que conseguiram ajustar seus estoques e começaram a reagir com mais fôlego.
 
Após alta de 1,1% em dezembro ante novembro, feitos os ajustes sazonais, a confiança dos empresários, de acordo com o indicador da FGV, subiu 0,1% no primeiro mês do ano, para 106,5 pontos, situando-se acima da média histórica de 104,8 pontos pelo quinto mês consecutivo.
 
Para Campelo, sinais favoráveis vieram da alta de 0,6% no setor de bens de capital, que, no ano passado, sofreu com o tombo do investimento e ainda encontra-se superestocado, mas que mostra perspectivas de aumento da produção nos próximos três meses e mais otimismo num horizonte mais longo, de seis meses. "O setor de bens de capital está saindo de uma situação muito ruim e começando a ver um horizonte um pouco melhor", afirmou.
 
Outra notícia favorável veio do aumento do nível de utilização da capacidade instalada, que subiu 0,3 ponto percentual entre dezembro e janeiro, para 84,4%, maior nível desde fevereiro de 2011. Segundo Campelo, esse movimento confirma que a recuperação da atividade industrial está ocorrendo.
 
Os estoques, por sua vez, continuaram em processo de ajuste e são outro ponto a favor de uma retomada da produção na avaliação do economista da FGV. O segmento de bens de capital tem mais estoques para queimar, mas a parcela de empresários que relatam estoques acima do normal diminuiu na passagem mensal, de 27,5% para 23,4%.
 
Também de acordo com indicador de expectativas da CNI, a indústria elevou o otimismo em relação à demanda nos próximos seis meses. O índice passou de 54,6 pontos em dezembro do ano passado para 58,4 pontos em janeiro. "Apesar da retração da atividade, os industriais estão otimistas com o futuro", afirma a CNI, lembrando que o indicador deste mês ficou acima dos registrados em janeiro de 2011 e 2012.
 
Em relação à compra de matérias-primas, o indicador de expectativa teve avanço no período, passando de 52,3 pontos para 55,8 pontos entre dezembro de 2012 e janeiro deste ano. As perspectivas de exportações para os próximos seis meses registraram leve queda para 51,8 pontos, ante 52,6 pontos em dezembro.
 
A CNI também apontou que a situação financeira das indústrias melhorou no último trimestre de 2012. O indicador, divulgado ontem, subiu para 50,2 pontos, ante 48,6 pontos nos três meses anteriores.
 
Com a alta, o índice ficou acima dos 50 pontos, o que indica que os "empresários ficaram satisfeitos com a situação financeira pela primeira vez no ano". No quarto trimestre de 2011, o indicador marcava 50,4 pontos. Valores acima de 50 indicam satisfação com o quesito analisado e resultados abaixo resultam de avaliação negativa.



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