Após investimento cair 18% no ano, Vale projeta recuo em 2013

Com preços menores, empresa estima US$ 16,3 bi no ano que vem

 

A Vale deve investir US$ 16,3 bilhões em 2013, 6,8% a menos que este ano e o menor montante desde 2010, quando foi de US$ 12,7 bilhões. O plano de orçamento da companhia, divulgado ontem (03), estima ainda US$ 17,5 bilhões para investimentos este ano, uma queda de 18,2% frente ao planejamento inicial de US$ 21,4 bilhões. No ano passado, o valor foi de US$ 18 bilhões.
 
E o cenário não é muito animador a curto prazo, já que os US$ 17,5 bilhões de 2012 foram apontados como o valor máximo de investimento nos próximos anos. A empresa também informou que pretende produzir 306 milhões de toneladas de minério de ferro em 2013, abaixo dos 312 milhões de 2012.
 
Os números mais fracos são resultado da queda do preço do minério de ferro, principal receita da empresa, que prevê "expansão moderada da demanda global por minérios e metais no médio prazo". O cenário exige o que a Vale chama de rígida disciplina na alocação de capital e maior foco em maximizar eficiência e minimizar custos.
 
"É um momento de alto nível de incerteza", afirmou o presidente da Vale, Murilo Ferreira, ao participar do Vale Day na Bolsa de Valores de Nova York, que acredita que vivemos o final de um super ciclo do setor da mineração.
 
Sem exuberância na China
Para se ter ideia, o preço da tonelada do minério de ferro caiu 44,7% entre o terceiro trimestre de 2011 e o deste ano, de US$ 151,26 para US$ 83,69. Agora, no entanto, já está perto de US$ 116 .
 
Ferreira disse que a empresa estima um cenário de menos volatilidade no preço do minério de ferro em 2013. Segundo o diretor-executivo de Ferrosos, José Carlos Martins, o mercado deve registrar uma expansão de 3% a 4% em volume no próximo ano.
 
E a China é fator determinante na demanda pelo minério. Na avaliação do presidente da Vale, a economia chinesa já passou pelo pior e terá crescimento saudável daqui para a frente, mas não mais o ritmo de expansão do passado. "Voltamos da China há pouco e o consenso é que o pior já passou, que foi o terceiro trimestre. Não veremos mais taxas de 12%, 13%. Temos grande chance de crescimento entre 7,8% e 8% em 2012 e para 2013 um crescimento maior que em 2012. Tenho muita confiança que teremos uma economia saudável, mas talvez não tão exuberante", afirma.
 
Em seu plano de investimentos, a Vale ressalta o desenvolvimento de um crescimento "mais focado" e lista nove projetos que serão responsáveis por 85% dos US$ 10,126 bilhões, com destaque para os ligados à expansão de Carajás, com US$ 2,112 bilhões. "O plano da Vale trouxe um cenário sem grande animação, que confirma que o mundo da mineração está no fim de ciclo de crescimento forte. O que está por trás disso é uma economia chinesa que cresce menos e a falta de grandes melhoras nos Estados Unidos e na Europa", disse o analista da XP Investimentos William Castro Alves.
 
Um dos pontos negativos do plano, segundo ele, foi o aumento de custos de alguns projetos, o que significa uma taxa de retorno mais baixa.
 
Lucianne Carneiro/ O Globo 
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