Setor de máquinas investe em estrangeiros

Desburocratização e custo elevado da mão de obra brasileira devem elevar o número desses profissionais nos próximos anos.


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Alguns especialistas apontam que muitas vezes falta mão de obra especializada na indústria brasileira. Para solucionar essa carência, o Governo Federal pretende facilitar o acesso de trabalhadores estrangeiros qualificados no País.

Segundo dados da Agência Estado, atualmente os estrangeiros no mercado de trabalho formal são apenas 0,3% da população. Ainda de acordo com a Agência, o prazo médio para emissão de visto para o trabalhador estrangeiro pode levar oito meses e custar cerca de R$ 15 mil.

Entre janeiro e setembro de 2012, o Conselho Nacional de Imigração (Cnig) concedeu 55 mil autorizações de trabalho para estrangeiros, sendo 49 mil vistos temporários (estadia de até dois anos) e seis mil permanentes. 
 
Para desburocratizar a entrada de profissionais estrangeiros, quatro Ministérios sob o comando da Secretaria de Assuntos Estratégicos, estão formulando um novo programa, o Brasil de Braços Abertos. Com o programa, esses profissionais não precisarão apresentar tantos documentos e terão incentivos para uma permanência prolongada. O projeto deve ser entregue na Casa Civil no próximo ano. 
 
Setor de máquinas
Atualmente, a Juan Martin, distribuidora de máquinas operatrizes, conta com quatro estrangeiros em sua equipe. O gerente comercial da empresa no Brasil, o português Hugo Sousa, veio há três anos para o país e afirma que houve certa burocracia, mas principalmente, ingresso de capital por parte da Juan Martin para trazer os profissionais. Ele afirma que hoje a 
empresa prioriza a contratação de profissionais brasileiros.
 
Sousa defende que existe mão de obra brasileira qualificada, porém, por ser escassa, torna-se bastante cara. "A vinda de profissionais de fora, além de trazer Know How diferenciado para o Brasil, irá criar uma concorrência interna no mercado de trabalho e fazer com que as empresas possam contratar melhores colaboradores por um preço mais competitivo", avalia. 
 
O gerente técnico da Frech Brasil, fabricante de fornos e máquinas de fundição, Oliver Hüb veio da Alemanha há cinco anos para trabalhar no Brasil. Ele é o único estrangeiro na empresa e afirma que a mão de obra especializada está cada vez mais cara. Para ele, o governo precisa incentivar mais as pequenas empresas e trazer mais indústrias de produção para o País. 
 
A Trumpf, que fabrica máquinas ferramenta e tecnologia laser, conta com dois estrangeiros entre os seus 69 profissionais no Brasil. Um deles é o alemão Carsten Keim, que é engenheiro industrial e administrativo e gerencia a Divisão de Lasers e Sistemas na Trumpf. 
 
“O Brasil tem um grande mercado automotivo e usa tecnologia europeia. Com a necessidade de adotar plataformas globalizadas de produção, cada vez mais as montadoras brasileiras terão que utilizar plataformas iguais às aprovadas na Europa, e é onde nós entramos”, comenta.
 
O engenheiro acredita que o Brasil está adotando novas tecnologias, porém muitas vezes elas não são implantadas tão rapidamente por falta de mão de obra com conhecimentos profundos na área. Para ele, os profissionais estrangeiros podem trazer novas tecnologias ou conhecimentos, o que aumentaria a competitividade da indústria brasileira no mundo. 
 
Porém, segundo Keim, atualmente apenas companhias globais com um planejamento a longo prazo conseguem contratar um profissional estrangeiro. "Para empresas pequenas ou companhias 100% brasileiras, que poderiam ter a mesma necessidade de contratar especialistas, é quase impossível pelo tempo que dura o processo de conseguir um visto de trabalho", avalia. 
 
Por Karine Wenzel/ CIMM
 



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