Construção civil segura expansão de bens de capital

Estudo da Sobratema aponta que a venda de bens de capital destinados à construção irá recuar 19% em 2012

A venda de bens de capital destinados à construção irá recuar 19% em 2012, para um total de 68.040 equipamentos comercializados no Brasil. O estudo, elaborado pela Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema), mostra que houve um forte impacto do segmento de caminhões rodoviários usados em obras, cujas vendas fecharão o ano com baixa de 35% em relação a 2011. A previsão é que sejam vendidos 27.430 caminhões neste ano.

Mario Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema, explica que esse recuo expressivo é reflexo do adiantamento de compras de caminhões no ano passado. "O empresário comprou antes porque sabia que o caminhão ia ficar mais caro." Com a mudança da legislação referente às emissões desses veículos, os preços subiram até 15% a partir deste ano.
 
Mas a queda nos investimentos não foi resultado apenas da baixa nas vendas de caminhões. Os equipamentos de linha amarela, que incluem escavadeiras, pás-carregadeiras, rolos compactadores, motoniveladoras, também caíram. Nessa categoria, a estimativa é de um recuo de 3% em relação ao ano passado. Serão 29.760 equipamentos desta linha vendidos até o fim do ano.
 
"Essas máquinas são destinadas a obras rodoviárias e foi desembolsado muito pouco recurso nessa área". O executivo atribui a redução nas vendas à desaceleração dos investimentos de infraestrutura no Brasil. Além da redução na execução orçamentária em obras Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), obras rodoviárias e ferroviárias ficaram travadas após as denúncias de irregularidades no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na estatal Valec, afirma Marques.
 
Duas categorias de máquinas da linha amarela que são usadas na preparação do terreno em obras de infraestrutura despontam entre os piores resultados no estudo. Motoniveladoras alcançarão 1.680 unidades vendidas em 2012, com recuo de 27% em relação ao ano passado, e rolos compactadores chegarão a 1.610 unidades, número 30% menor na mesma comparação.
 
Escavadeiras hidráulicas aparecem com um recuo menor, de 8%, para 5.850 unidades, e caminhões fora de estrada vão chegar a 250, ante 170 vendidos no ano passado. Esses equipamentos tiveram o desempenho impulsionado pela mineração. "O que segurou foi a atividade de mineração, mas o resultado como um todo foi muito pior do que a gente esperava no início do ano".
 
As máquinas da linha cinza, que incluem gruas, guindastes, plataformas aéreas, são a única categoria que terá avanço, ainda que modesto, de 1%, para 10.850 unidades. Segundo Marques, esses equipamentos tiveram alguma estabilidade de demanda em função de obras industriais, em setores como etanol e papel e celulose, e também por obras da Petrobras.
 
Apesar da desaceleração neste ano, a Sobratema tem perspectivas otimistas. Para 2013, a entidade prevê um avanço de 12% nas vendas internas totais em relação a 2012. A venda de caminhões deve avançar 10%, enquanto linha amarela e linha cinza devem crescer, ambas, 13%.
 
"Em 2013, o investimento em infraestrutura deve ser bom e o crescimento do PIB deve ser da ordem de 4%", afirma Marques. O estudo da Sobratema aponta ainda que a venda de bens de capital para construção deve seguir uma trajetória de alta forte ao menos até 2017. Segundo a entidade, a quantidade de equipamentos vendidos no setor deve crescer 16%, em 2014, e em um patamar anual um pouco inferior, mas ainda consistente, de 8%, entre 2015 e 2017.
 
Mesmo o ano de 2012 a Sobratema não avalia que foi de todo ruim. O importante, avalia Marques, é que o país confirme a expectativa de investimento para os próximos anos para não ficar muito atrás dos outros países emergentes, como tem ficado.
 
No cenário internacional, a associação também faz uma análise positiva. Segundo dados coletados pela parceira da Sobratema, Off-Highway Research, de Londres, o mercado de máquinas da linha amarela recuará 9% no mundo, com 925 mil unidades vendidas. Mas a queda, aponta Marques, é reflexo de um ano forte em 2011. "É um belo número 925 mil máquinas vendidas no mundo e nós vamos continuar vendo o mundo investindo em infraestrutura nos próximos anos, talvez Europa menos, mas até Estados Unidos devem retomar". De acordo com a Off-Highway Research, a venda de maquinário da linha amarela deve crescer globalmente 4% em 2013, atingindo a marca de 962 mil unidades vendidas.
 
Por Ana Fernandes/ Valor Econômico 



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