Diferencial competitivo

Investimento e cooperação entre empresas, universidades e governo são fundamentais para alcançar o diferencial competitivo

 

Mais investimentos e mais colaboração entre os diversos agentes envolvidos na produção de conhecimento e da inovação - governo, empresas, universidades e instituições de pesquisa do mundo acadêmico - são ações vitais para enfrentar as novas demandas da competitividade em um mercado globalizado, segundo manifestaram em uníssono empresários, dirigentes governamentais e representantes de instituições acadêmicas e de entidades de fomento à pesquisa de tecnologias no país presentes ao seminário "Inovação e Desenvolvimento Econômico", realizado pelo Valor em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em São Paulo, nesta semana.
 
Do lado do governo, pelo menos, dinheiro não vai faltar, assegura o ministro Marco Antônio Raupp, da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além do orçamento anual, estimado em R$ 7,01 bilhões para 2013, o governo colocará R$ 15 bilhões à disposição das empresas e instituições de ciência e tecnologia (ICTs), na forma de crédito, subvenção e fomento não reembolsável para atividades inovadoras, até 2014. São recursos novos, obtidos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em parceria com o BNDES, para atender projetos prioritários previstos no Plano Brasil Maior para tecnologia e inovação.
 
"A intenção é realizar uma convergência entre as políticas de desenvolvimento econômico e as estratégias de produção de conhecimento e inovação", afirmou Raupp durante o seminário. "Pela primeira vez, há um movimento inédito de inserir a política de inovação no coração do Plano Brasil Maior, para o desenvolvimento econômico", assinalou. Trata-se de um novo modelo de atuação do Ministério da Ciência e Tecnologia, que, desde o ano passado, incorporou o I de Inovação, e está adotando novos instrumentos de financiamento, além de medidas de ajustes aos novos tempos de mais competitividade, explicou o ministro.
 
Em 2011, informou, foram liberados R$ 6 bilhões em créditos a projetos de tecnologia e inovação, principalmente nas áreas de petróleo e gás, sustentabilidade, saúde. Não só: o governo tem incentivado o desenvolvimento de inovação das empresas por meio de renúncia fiscal, por conta da Lei de Informática. É um volume de recursos da ordem de R$ 4 bilhões que, somados às desonerações da Lei do Bem, atingem o montante de R$ 6 bilhões. "Vivemos uma fase de ações transversais de ciência, tecnologia e inovação, e isso leva a uma multiplicidade de meios e instrumentos de atuação em apoio à inovação em todos os setores da sociedade", explicou Raupp.
 
Para os empresários, além de mais investimentos, é necessário fortalecer os laços de cooperação entre as instituições envolvidas na produção do conhecimento e da inovação. A palavra-chave é colaboração, disse Mauro Kern, vice-presidente executivo de engenharia e tecnologia da Embraer. Segundo ele, é preciso criar redes de colaboração envolvendo empresas industriais, instituições de pesquisa e governo. "Daqui para frente, as empresas que quiserem desenvolver tecnologias por conta própria não vão conseguir enfrentar os desafios atuais. A competição vai se dar entre redes de colaboração e essas redes precisam ser fortes e competitivas."
 
Não se trata, de acordo com Kern, de buscar apenas instrumentos de ganhos de produtividade e de competitividade. "Em um mundo de rápidas mudanças, colaboração e inovação são questões de sobrevivência", afirmou. A empresa apostou nessa direção, segundo ele. A Embraer investe 3% de sua receita em inovação, pesquisa e desenvolvimento, o que tem resultado na criação de novos produtos em alta velocidade. "Somos a empresa que mais desenvolve aviões no mundo e isso tem proporcionado à companhia o crescimento de sua receita 20 vezes mais desde 1995."
 
As universidades estão prontas para exercitar essas ações de colaboração, avaliou João Grandino Rodas, reitor da Universidade de São Paulo (USP). "A universidade sai de sua torre de marfim, ciente de que não é mais dona do monopólio do conhecimento e do ensino", afirmou. No caso da USP, várias ações adotadas estão em desenvolvimento para incentivar a inovação e o empreendedorismo. Só no Programa de Inovação à Pesquisa, por exemplo, a USP investiu R$ 300 milhões para criar núcleos de apoio à pesquisa. Mais R$ 200 milhões estão sendo aplicados desde 2011 no projeto de implantação pioneira da tecnologia cloud computing no campus da universidade.
 
O presidente da Finep, Glauco Arbix, acredita que há uma nova cultura de inovação em curso. "Foi-se o tempo em que tínhamos dificuldade de discutir ciência e tecnologia com empresários", disse. "Agora, trata-se de criar um ambiente amigável, diminuir a carga de burocracia das empresas e mitigar os esforços entre os diversos agentes envolvidos na inovação."
 
Segundo João Alberto De Negri, diretor de inovação da Finep, uma parte relevante dos investimentos na economia nos próximos anos será realizada, por exemplo, pelas empresas vinculadas à cadeia produtiva do petróleo. De um total de 1.714 empresas do núcleo da indústria brasileira, pelo menos 750 desenvolvem atividades de P&D, das quais 500 estão integradas ao sistema do MCT (Finep e CNPq), recebendo apoio direto dos programas governamentais de financiamento à inovação. "Os resultados mostram que as firmas brasileiras que investiram em conhecimento e em inovação cresceram 21% a mais do que aquelas que não investiram", afirmou.
 
Por Genilson Cezar/ Valor Econômico 
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