Finame dobra desembolsos no trimestre

Luciano Coutinho: investimento na economia brasileira crescerá 8% em 2013

Os desembolsos da Finame, agência do BNDES para financiamento de máquinas, equipamentos, ônibus e caminhões estão "rodando" neste último trimestre do ano na casa de R$ 6 bilhões por mês -contra R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões no primeiro semestre.

A informação foi dada ontem (29) pelo presidente do banco estatal, Luciano Coutinho, após palestra em seminário organizado para marcar o lançamento da publicação "BNDES 60 anos - Perspectivas Setoriais". A meta, segundo ele, é que em 2013 os investimentos na economia brasileira cresçam 8% sobre 2012.
 
Coutinho disse que o aumento de quase 100% nos desembolsos da Finame é resultado dos incentivos dados pelo governo federal a partir do fim de agosto, especialmente a redução de 5,5% para 2,5% da taxa de juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Além disso, de acordo com o executivo, os empresários se convenceram que a economia brasileira vai crescer na casa dos 4% no próximo ano e estão respondendo a essa expectativa com novos investimentos nas empresas.
 
Segundo Coutinho, as consultas para obtenção de financiamentos novos revelam que há crescimento não só na Finame, mas também nas demais linhas do banco estatal. Sobre o aumento dos investimentos no próximo ano, Coutinho disse que é uma meta a ser perseguida. Ele não quis fazer previsão sobre qual será o número da Formação Bruta de Capital Fixo (investimento) no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, nem se será positivo ou negativo.
 
Para Coutinho, o resultado de 2012 será fortemente influenciado pela queda nas vendas de caminhões no primeiro semestre, devido à troca de motorização dos veículos com a entrada no mercado do diesel S-50, combustível com menor teor de enxofre. "Além disso, as dúvidas do setor privado afetaram a recuperação do investimento", disse.
 
Coutinho afirmou que o BNDES tem a partir de agora dois desafios, que são também da economia brasileira: "Avançar na competitividade da indústria naquilo que ainda não foi construído e captura e desenvolvimento de grandes oportunidades para o futuro que não estão presentes na atual estrutura da indústria brasileira".
 
Segundo Coutinho, um dos gargalos para que o país possa vencer os dois desafios, principalmente o segundo, é a falta de "estruturas empresariais" com robustez e capacidade criativa capazes de avançar em competitividade e inovação.
 
Uma das missões do BNDES, de acordo com o presidente do banco, é apoiar o desenvolvimento dessas estruturas, ao mesmo tempo que fomenta "ganhos de produtividade" para a indústria. Coutinho criticou a "visão medíocre" dos que ainda não entenderam que "o jogo é global" e que o Brasil precisa por isso ter empresas competitivas globalmente, exceto no setor de materiais de construção, onde "o jogo é mais doméstico".
 
Na indústria automobilística, Coutinho disse que "o oligopólio mundial está mudando" e que o desafio brasileiro é "reestruturar nossa capacidade competitiva em autopeças, que deixamos enfraquecer".
 
Por Chico Santos/ Valor Econômico 
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