Efeito de desoneração varia entre setores

As entidades de classe não possuem ainda um balanço dos resultados da ampliação da desoneração e consideram que os efeitos variam conforme a empresa.

 

As entidades de classe não possuem ainda um balanço dos resultados da ampliação da desoneração e consideram que os efeitos variam conforme a empresa. Em alguns setores, as medidas do governo para incentivo ao consumo e à produção industrial não chegaram a ter impacto nos preços, nas contratações ou nos investimentos, mas deram origem a expectativa de melhores resultados.
 
A Abicalçados, que reúne fabricantes de calçados, ainda não tem um balanço sobre os efeitos da ampliação da desoneração. O setor está desde o início do ano com o benefício, mas desde agosto teve a alíquota calculada sobre faturamento reduzida de 1,5% para 1%. Alguns dados, porém, mostram que houve melhora para os calçadistas neste ano em relação a 2011. Apesar de as exportações terem previsão de fechar o ano com volume de vendas menor do que ano passado, a produção física total vai crescer em função da expansão do mercado doméstico.
 
A Abimaq, que reúne indústrias de máquinas, considera muito prematura uma análise dos efeitos das medidas no setor. Para o vice-presidente da entidade, José Velloso, a desoneração não ajuda a aumentar a produção, com o efeito maior caindo sobre a saúde financeira das empresas.
 
O tiro do governo que está começando a alavancar as encomendas das companhias é mesmo o PSI, a linha de crédito do BNDES para compra de máquinas, que teve juros reduzidos a 2,5% ao ano. "O ganho médio de uma empresa com a desoneração foi de 1,4% sobre o faturamento bruto. Mas isso não alavanca a atividade. Se meu cliente não tiver mercado para vender, ele não me procura."
 
Vlamir Gorgati, diretor da Quattro Industrial, fabricante de tubos plásticos e tampas para o mercado de higiene bucal, diz que a desoneração não teve muito efeito e, dependendo do nível de faturamento, a empresa pode passar a arcar com uma contribuição previdenciária maior do que a que pagava antes da mudança no cálculo da contribuição sobre folha. Isso acontece, argumenta, porque a folha de salários da empresa não é tão representativa em relação ao faturamento. "Usamos máquinas de precisão e alto desempenho. Nossa produtividade por trabalhador é mais alta que a média."
 
Para a empresa, diz Gorgati, que não tem exportação representativa e adquire máquinas sem similares nacionais que tenham o mesmo desempenho, o real mais valorizado também não surtiu muito efeito. A expectativa dele é terminar o ano com crescimento de 5% no faturamento em relação a 2011.
 
Para 2013, Gorgati prevê uma melhora, mas o nível dependerá muito da concorrência entre os fabricantes de produtos de higiene bucal, que são seus grandes clientes. O diretor da Quattro lembra que a demanda por esses produtos varia pouco, porque são considerados essenciais.
 
José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast, que reúne as indústrias plásticas, diz que a desoneração reduzirá em R$ 300 milhões anuais o recolhimento total do setor de contribuição previdenciária. O efeito para cada uma das empresas, lembra, porém, é diferente, conforme a representatividade do custo da mão de obra. Para Coelho, ainda é cedo para avaliar resultados globais em termos de maior contratação, redução de preços ou exportação.

 

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