Recuperação da indústria ainda é frágil, diz FGV

Sondagem mostra que a reativação do setor está apoiada mais em bens de consumo do que em investimentos

 

A indústria ingressou definitivamente em um processo de recuperação neste quarto trimestre de 2012, demonstra a prévia da Sondagem da Indústria, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas, a análise de economistas é que a recuperação ainda é frágil, principalmente no que diz respeito ao investimento.
 
"Seja por causa das medidas do governo, seja em função do câmbio ou da recuperação da demanda interna, a indústria apresentou melhora", afirmou o economista da FGV, Aloisio Campelo, ressaltando, contudo, que as empresas da categoria de bens de capital não demonstram o mesmo grau de confiança que as demais.
 
A pesquisa captou crescimento de 1,3% no índice de confiança do setor na passagem de setembro para outubro, o que representaria o terceiro crescimento consecutivo, fosse este o resultado fechado para o mês. Os 106,4 pontos registrados na sondagem indicam que, em outubro, os empresários da indústria estão, em média, mais confiantes do que nos últimos cinco anos.
 
Melhorou também o Índice de Situação Atual (ISA)que, junto com o Índice de Expectativa (IE), compõe a estatística sobre a confiança do setor. O ISA avançou 2,3%, após ter caído 0,1% no mês anterior.
 
Enquanto o IE subiu 0,4%. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) subiu 0,2 ponto porcentual, ao passar para 84,3%, o maior nível desde maio de 2011 (84,4%).
 
Intermediários
O destaque na pesquisa foi a categoria de bens intermediários, que em meses passados reclamava especialmente da competição externa e, desta vez, apresentou respostas mais otimistas sobre lucratividade e perspectivas para os próximos seis meses.
 
Outro dado que mostra a fragilidade da recuperação é a perspectiva do mercado de trabalho. A indústria está utilizando mais a sua capacidade, porém não aumentou a contratação de mão de obra para isso. A análise de Campelo é que o setor manteve o pessoal no pior momento para evitar custos e, agora, conta com o mesmo número de empregados para ampliar a produção.
 
Não basta, contudo, o esforço interno para garantir a plena recuperação do setor, já que o País depende também da demanda externa, disse o economista da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda. "Todas as medidas do governo vão no caminho certo, embora se questione a dose. Os juros foram reduzidos, mas os juros internacionais são muito mais baixos. O câmbio ainda está desvalorizado. E temos uma questão de competitividade a resolver", destacou o especialista.
 
Para o economista-chefe da Opus Investimento, José Márcio Camargo, as estatísticas sobre a produção industrial e a confiança estão contaminadas pelas medidas do governo como a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "A pergunta que fica é como sustentar a produção e a confiança. Prefiro esperar mais um pouco para afirmar que a recuperação está consolidada. O que vai acontecer após o fim dos incentivos?", questionou Camargo.
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