Fabricantes de caminhões registram quedas de vendas em vários países

A demanda por esses produtos arrefeceu na Europa, China e Brasil, nos Estados Unidos o mercado está incerto

Os fabricantes de caminhões e outros veículos comerciais enfrentam crescentes empecilhos impostos pela economia mundial. A demanda por esses produtos arrefeceu na Europa, China e Brasil, e as perspectivas para o mercado anteriormente aquecido dos Estados Unidos mostram-se mais incertas.

A crise da dívida soberana da União Europeia fez com que os clientes industriais adiassem aquisições, de alto valor, de caminhões pesados, enquanto as reduções dos orçamentos públicos comprometeram a demanda por ônibus.
 
As vendas de caminhões também desaceleraram na China e na Índia, dois dos maiores mercados mundiais de veículos comerciais, enquanto o enrijecimento das normas de emissões e o enfraquecimento da economia fizeram o Brasil entrar em calmaria.
 
"Na UE... a crise do euro desencadeou uma segunda recessão do mercado de veículos comerciais e suplantou o ciclo de oito anos habitual no setor", advertiu a consultoria AlixPartners em estudo publicado na semana passada. A consultoria prevê que as vendas de veículos comerciais cairão de 15 a 20% na Europa ocidental este ano e que o nível de 2008 das vendas não voltará a ser alcançado antes de 2015.
 
Mesmo assim, ao apresentar pela primeira vez seus robustos produtos na feira IAA de Veículos Comerciais de Hannover, os fabricantes europeus se revelaram otimistas quanto às perspectivas de longo prazo. Eles vêm se empenhando em reduzir custos, aumentar a eficiência do consumo de combustível, a produção local e o compartilhamento de peças, enquanto aproveitam a solidez da demanda, persistente em mercados como o da Rússia. A consultoria McKinsey prevê que o mercado mundial de caminhões pesados aumentará de € 125 bilhões para € 190 bilhões até 2020.
 
Os fabricantes de caminhões estão bastante acostumados às flutuações cíclicas, e o desaquecimento atual é muito menos grave do que o observado durante a crise de 2008-09, a pior a atingir o setor em várias décadas. A fragilidade da recuperação afetou algumas empresas mais do que outras, de acordo com sua exposição a mercados especialmente fracos da Europa e América Latina.
 
A sueca Scania deverá reduzir a produção em cerca de 15% este ano, enquanto a alemã MAN - que, a exemplo da Scania, é majoritariamente controlada pela Volkswagen - anunciou congelamento das contratações em julho, após seu lucro operacional ter recuado 38% no primeiro semestre do ano. A divisão de caminhões Iveco, da Fiat, pretende fechar cinco unidades de produção na França, Áustria e Alemanha até o fim do ano. A medida afetará mais de mil funcionários.
 
Por seu lado, a comercialização de caminhões pela Daimler, a maior fabricante mundial desse veículo em termos de vendas, cresceu 20% nos oito primeiros meses do ano, ajudada pela elevação de 27% computada nos EUA, por uma alta de mais de 80% na Rússia e por um desenvolvimento "estável" na Europa.
 
Andreas Renschler, diretor da divisão de caminhões e ônibus da Daimler, reconhece que "o sol não está propriamente brilhando em todo lugar", mas diz que "o panorama geral mostra-se sólido".
 
As vendas de caminhões da Volvo, a maior concorrente da Daimler, caíram 3% no período de oito meses encerrado no fim de agosto, comparativamente ao mesmo intervalo do ano passado; as vendas na Europa ocidental recuaram 13%, enquanto as realizadas na América do Sul despencaram 25%.
 
As vendas da Volvo na América do Norte subiram 23% durante esse período, mas no segundo trimestre suas encomendas procedentes da América do Norte sofreram a queda vertical de 47%.
 
"Nos EUA, o sistema de varejo está se mantendo bem, mas a entrada de encomendas para os fabricantes de equipamentos originais está menor. Estamos tentando nos precaver da superprodução", disse Olof Persson, principal executivo da Volvo, ao "Financial Times" antes da feira.
 
O banco de investimento JPMorgan Cazenove previu uma retração de 10% do mercado de caminhões da América do Norte em 2013, corrigindo prognóstico anterior de que o setor patinaria. "Estamos mais cautelosos com a demanda dos EUA por caminhões nos próximos meses, com o amortecimento do fluxo de encomendas, a moderação do nível de atividade do setor de frete nos EUA e o enfraquecimento dos indicadores antecedentes [econômicos]", disse o analista Alexander Wright aos clientes.
 
Bernd Bohr, diretor do setor automotivo do conglomerado industrial e fornecedor de peças Bosch, disse ao "FT" ver "poucos impulsos de crescimento" para o setor de caminhões em 2013.
 
"Os investimentos chineses em construção tendem a diminuir e os Estados Unidos deverão permanecer estagnados, no melhor dos casos, após o sólido crescimento observado no país este ano", disse ele.
 
 
Por Chris Bryant/Financial Times/Valor Econômico
 
 
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