Indicadores mostram indústria mais confiante

De acordo com pesquisas da FGV e da CNI, a confiança da indústria voltou a crescer em setembro


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A confiança da indústria voltou a crescer, e de forma expressiva, em setembro, segundo duas pesquisas divulgadas ontem (19). Os dois levantamentos - feitos pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) - sugerem que a retomada da produção se manteve neste mês.
 
De acordo com a pesquisa da FGV, a retomada da produção da indústria ainda é gradual e concentrada em bens duráveis, principal segmento favorecido pelas medidas do governo de isenção e de redução tributária. Na prática, ainda não há indícios de recuperação robusta nas indústrias de bens intermediários e de bens de capital, segundo o economista Aloísio Campelo, coordenador da sondagem da FGV. Os dados divulgados são uma prévia e englobam dois terços da coleta total realizada para cálculo da pesquisa.
 
Campelo observou que a prévia da sondagem indicou alta de 1,1% no Índice de Confiança da Indústria (ICI). Em agosto, o indicador completo subiu 1,4%. "Caso o resultado da prévia se confirme, será um sinal positivo. Não tínhamos duas altas acima de 1% consecutivas no ICI desde novembro e dezembro de 2009", afirmou.
 
O otimismo medido pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) da CNI, subiu de 54,5 pontos para 57,4 pontos entre agosto e setembro. É o segundo aumento consecutivo do indicador, que avançou entre julho (53,3 pontos) e agosto. O Icei varia de zero a cem pontos. Valores acima de 50 representam otimismo. Na comparação com setembro de 2011 (56,4 pontos), houve crescimento de um ponto percentual.
 
O resultado "indica a retomada da atividade industrial", avaliou, em nota, a CNI. Além disso, a confiança cresceu de forma generalizada em todos os setores da indústria de transformação, o que não ocorria desde outubro de 2009.
 
Na pesquisa da FGV, um dos aspectos que contribuíram para melhor desempenho do ICI na prévia foi o Índice de Expectativas (IE), um dos dois subindicadores componentes do ICI, que atingiu 104,7 pontos, no resultado preliminar do mês (a escala vai até 200 pontos). "Caso a prévia se confirme, seria a primeira vez que o IE atingiria patamar acima da média histórica do índice (103,7 pontos) desde junho de 2011", diz Campelo.
 
No entanto, observou, a prévia do ICI em setembro ainda mostra o indicador completo em 105,2 pontos - abaixo da média histórica de 105,4 pontos. "Há sinais de recuperação, mas ainda muito moderada, dentro da indústria de transformação", salientou. Para ele, uma verdadeira retomada só seria possível se os sinais de recuperação da atividade fossem mais "espalhados" e incluíssem setores-chave da indústria, como bens de capital e bens intermediários.
 
Embora os sinais de retomada ainda sejam concentrados na indústria de duráveis, Campelo afirmou que a prévia de setembro mostrou indícios positivos de atividade nas indústrias de não duráveis, como alimentos. Esse tipo de produto é mais relacionado à demanda interna, que opera com saldo positivo, beneficiada por renda em patamar elevado e baixa taxa de desemprego. "Qualquer sinal de retomada este ano ainda será puxado pelo mercado interno. Os sinais de demanda internacional continuam ruins", explica.
 
Outro ponto destacado pelo economista foi a prévia do Nível de Utilização de Capacidade Instalada com ajuste sazonal, de setembro, que foi de 84,1% - em agosto, o índice completo, com ajuste, foi de 84%. "Isso mostra claro aumento da produção da indústria", diz Campelo.
 
Por Alessandra Saraiva e Thiago Resende/ Valor Econômico 
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