Fábricas de motos e importadoras de veículos ajustam mão de obra

Fábricas de motos trabalham com lay off e importadores devem demitir 5 mil trabalhadores até final de 2012

 

Mesmo após as férias coletivas de julho - estendidas devido à paralisia nas vendas -, a indústria de motocicletas segue realizando ajustes na produção para se adequar a um mercado que dá poucos sinais de reação.
 
A Yamaha - segunda neste mercado, com 10,7% das vendas - decidiu dispensar por quatro meses 110 funcionários na fábrica de Manaus, conforme informações do sindicato local.
 
O mecanismo, conhecido como "lay off" ou suspensão de contratos de trabalho, é o mesmo adotado neste ano pela Mercedes-Benz no ABC Paulista e pela General Motors (GM) em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
 
Ou seja, no tempo em que estiverem em casa, os trabalhadores da Yamaha receberão uma bolsa de R$ 1,14 mil - em recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) - e terão salários complementados pela empresa. Também vão fazer um curso de capacitação e continuarão recebendo benefícios, como participação nos lucros e resultados (PLR), férias e décimo terceiro salário.
 
Este não é o primeiro ajuste de mão de obra no polo de fabricação de motos na Zona Franca de Manaus. A Abraciclo - entidade que representa as empresas do setor - estima em dois mil os cortes de vagas desde janeiro.
 
"Cada marca está analisando os ajustes que precisam ser feitos. Mais postos podem ser perdidos se não houver uma recuperação do mercado", diz Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo.
 
Em julho, a Honda - líder no mercado, com quase 80% das vendas - foi obrigada a estender as férias coletivas em sete dias. Antes disso, a montadora chegou a fazer algumas paradas na fábrica, que, em uma situação normal, seria capaz de produzir uma moto a cada oito segundos.
 
A Yamaha, por sua vez, diz que tem interrompido sua produção, mas sempre oferecendo licença remunerada aos metalúrgicos, com vista a manter os postos de trabalho para o momento de retomada das vendas.
 
De janeiro a agosto, as vendas de motos no atacado - da montadora à concessionária - caíram 17,4%, somando 1,1 milhão de unidades. Já a produção caiu 16,1%, para 1,2 milhão de motos.
 
O desempenho vem sendo prejudicado pela alta seletividade dos bancos na hora de liberar empréstimos para a aquisição de motos. Fontes da indústria e de revendas dizem que apenas 15% das solicitações de crédito estão sendo aprovadas.
 
Fermanian diz que a maioria dos bancos pede, no mínimo, 20% de entrada e os prazos máximos caíram de 48 para 36 meses. "O rigor tem sido maior para os consumidores de motos", diz.
 
Para o executivo, a indústria caminha para fechar o ano com 1,7 milhão de motos vendidas, 17% abaixo do volume de 2011 (2 milhões de unidades). Nas contas da Fenabrave - a entidade que representa as concessionárias de veículos -, os emplacamentos de motos tendem a cair 12% em 2012.
 
Na tentativa de reverter o cenário, medidas para destravar o crédito foram solicitadas ao governo, como liberações de compulsórios e cortes nas taxas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O setor também pede uma posição mais ativa dos bancos públicos nas liberações de empréstimos.
 
Importadores podem cortar mais 5 mil vagas
 
Nova queda nas vendas de carros importados levou a Abeiva - entidade que representa o setor - a prever ontem (13) novos cortes de postos de trabalho até o fim do ano. Desde janeiro, dez mil vagas foram eliminadas pelas empresas de importação de carros, levando o quadro de funcionários para 25 mil pessoas.
 
Segundo Flavio Padovan, presidente da Abeiva, outros cinco mil empregos podem ser cortados até dezembro, como resultado do fechamento de lojas e enxugamento de custos pelas companhias.
 
Desde 16 de dezembro, as importações de carros pagam 30 pontos adicionais de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Esse fato, combinado à desvalorização do real ante o dólar, derrubou em 27,5% as vendas dos automóveis de marcas sem fábrica no Brasil entre janeiro e agosto.
 
Nos oito primeiros meses do ano, foram emplacados 93,7 mil carros importados, ou 3,9% do mercado total. Os números incluem os resultados de marcas como Kia Motors, JAC e Chery.
 
Para 2012, a Abeiva ainda prevê o recuo de 40% nas vendas. Apesar do recorde da indústria nacional em agosto, as vendas de carros importados caíram 41,4% no mês passado, quando comparadas a igual período de 2011, somando 12 mil unidades.
 
O volume, contudo, representa uma evolução de 11,5% sobre julho, quando foram vendidas 10,7 mil unidades. Para Padovan, o setor está "à beira do colapso".
 
Os importadores ainda aguardam uma posição do governo sobre o pedido de cotas de automóveis que ficariam livres do aumento do IPI. Padovan afirmou que a medida foi prometida pelo governo, mas seu anúncio vem sendo adiado desde maio.



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