IPT inaugura centro de bionanomanufatura

Centro de pesquisas abrigará três áreas distintas: biotecnologia, nanotecnologia, microtecnologia e metrologia de ultraprecisão.

O prédio de bionanomanufatura, que entrou em operação na semana passada, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) será o mais moderno centro de pesquisas da América Latina. Com investimento de R$ 46 milhões, o centro de oito mil metros quadrados será destinado ao estudo de biotecnologia (desenvolvimento com organismos vivos), tecnologia de partículas (microencapsulação de componentes químicos e terapia medicinal, como em cosméticos), micromanufatura de equipamentos e metrologia de ultraprecisão.

A bionanomanufatura é a área de pesquisa para descoberta e produção de materiais milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo. Tradicionalmente, uma partícula recebe o prefixo "nano" caso tenha diâmetro entre um e 100 nanômetros, ou cerca de 0,01% do diâmetro de um fio de cabelo. Atualmente, cerca de 600 produtos que contêm nanomateriais estão no mercado em todo o mundo.
 
A nova edificação, que faz parte do projeto de modernização do IPT, teve um custo de R$ 21 milhões e outros R$ 25 milhões foram previstos para instalações e equipamentos. Esses recursos são oriundos do Governo do Estado de São Paulo. O ponto de partida para a construção do centro foram oportunidades de negócios vislumbradas a partir de problemas industriais. Com base nos planos de inovação das empresas, o IPT desenhou fluxos de atividades para atender demandas pré-pesquisadas e, a partir disso, saber quais seriam as competências em pessoal e infraestrutura necessárias para o projeto de um centro multidisciplinar.
 
Metrologia
Embora a metrologia seja parte do dia a dia, as atividades de metrologia multissensor tridimensional são incipientes no Brasil e têm uma gama de aplicações que vai desde o setor automotivo até o biomédico. O centro de bionanomanufatura do IPT contará com uma área de micrometrologia tridimensional e metrotomografia que prestarão serviços e darão apoio às pesquisas de diversas áreas do Instituto, enquanto a área de microusinagem funcionará principalmente como suporte ao laboratório de microfluídica para a fabricação de dispositivos e componentes.
 
Dois dos principais novos equipamentos são a máquina de medição por coordenadas de alta exatidão, usada para microgeometrias com apalpadores de fibra óptica para medição em 2D e 3D, e o sistema multissensor de metrotomografia para detecção e análise de defeitos em peças e mecanismos complexos, fabricados em materiais metálicos e não-metálicos. Qualquer amostra que possa ser projetada no detector e ‘atravessada’ pelos raios-X por completo em todas as direções é um potencial uso da máquina. Conseguir examinar uma peça por dentro sem a sua destruição é uma grande vantagem da tomografia. A metrologia multissensor tridimensional oferece soluções para medição de componentes de dimensões milimétricas, geometrias micrométricas e incertezas submicrométricas.
 
Criada com a ideia de fazer interação não somente com a área de biologia, mas também de física, química e ciência dos materiais, a área de microtecnologia buscará auxiliar as indústrias na fabricação de componentes e sistemas em escala micrométrica, em competências já presentes ou em implantação no IPT, como processos LTCC (Low Temperature Co-fired Ceramics), de microusinagem e de microfabricação em sala limpa, que podem ser combinados para diversas aplicações.
 



Comentários