Anfavea não vê alta nas vendas de máquinas

Milton Rego disse que a causa do recuo no acumulado de 2012 é a insegurança do mercado em relação às questões macroeconômica


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A explosão de preços de várias commodities agrícolas em função da seca nos Estados Unidos e as perspectivas de aumento da área plantada de soja no Brasil não deverão provocar um aumento da demanda por máquinas agrícolas no país neste ano. Essa é a avaliação de Milton Rego, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). De acordo com ele, o desempenho do segmento no acumulado do ano é modesto e o produtor "perde a oportunidade" de diminuir a idade média da frota no país.
 
As vendas internas no atacado recuaram 1,7% de janeiro a julho na comparação com o mesmo período de 2011, para 37,5 mil unidades. Em julho, as vendas totalizaram 6,2 mil unidades, altas de 8,5% sobre junho e de 11,2% ante julho do ano passado.
 
Milton Rego disse que a causa do recuo no acumulado de 2012 é a insegurança do mercado em relação às questões macroeconômicas, mas principalmente diante de um ritmo menor do que se esperava dos programas governamentais de incentivo à compra de equipamentos, como os voltados para a agricultura familiar, classe média rural e agricultura de baixo carbono.
 
"Existe a linha [de crédito], mas o produtor não consegue acesso", pontua. Tanto que a meta de estabilidade nas vendas domésticas não foi revisada. Mas Rego alerta que as aquisições de máquinas continuam crescendo no Cerrado e na região conhecida como "Mapitoba" (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia).
 
As exportações continuaram a recuar, impactadas principalmente pelas dificuldades de entrada no mercado argentino. Em volume, os embarques recuaram 24,5% em julho sobre o mesmo mês de 2011, para 1,2 mil unidades. No acumulado do ano, somaram 9,8 mil unidades, redução de 4,4% na comparação com o mesmo intervalo de 2011.
 
Em receita, as vendas externas totalizaram no mês passado US$ 216,4 milhões, com diminuições de 4,8% em relação a junho e de 22,9% ante julho de 2011. Do início de 2012 até agora, os embarques cresceram 1%, para US$ 1,8 bilhão. Milton Rego prevê que os embarques para a Argentina vão aumentar em agosto porque o país vizinho liberou algumas licenças de importação do Brasil nos últimos dias.
 
Para se ter uma ideia da redução dos embarques para este mercado, a exportação de colheitadeiras, principal produto vendido aos argentinos, recuou 36,2% de janeiro a julho de 2011, ano considerado de base baixa, quando os exportadores já enfrentavam restrições para vender produtos aos argentinos.
 
Já a produção nacional apresentou crescimento de 4,9% de janeiro a julho, para 49,4 mil unidades, além de alta de 19,8% em julho na comparação com junho. O motivo, segundo a Anfavea, é o acerto de cada fabricante com a rede de concessionários.
 
Carine Ferreira/Valor Econômico
Valor Econômico - 08/08/2012
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