Uso da capacidade da indústria cai pelo quarto mês

Na pesquisa divulgada pela CNI, apenas o emprego se manteve estável

O uso da capacidade instalada da indústria no mês de maio caiu 0,3 em relação a abril deste ano e é o menor índice registrado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) desde setembro de 2009. A indústria operou em maio com 80,7% da capacidade instalada, segundo a pesquisa Indicadores industriais divulgada ontem (05).

“A indústria está trabalhando com ociosidade crescente”, assinalou o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Este é o quarto mês consecutivo de retração do índice, que já acumula queda de 1,4 ponto percentual desde janeiro.
 
A fraca atividade está disseminada na maioria dos setores industriais. Na comparação com maio de 2011, a UCI foi menor em 13 dos 19 segmentos analisados pela pesquisa. As maiores quedas foram registradas nos setores outros equipamentos de transporte, que recuou 5,8 pontos percentuais, metalurgia básica (menos 5,6 pontos percentuais), couros e calçados (retração de 4,6 pontos percentuais) e veículos automotores (menos 4,5 pontos percentuais).
 
O segmento de couros e calçados registrou piora em todos os indicadores, com o maior declínio, de 7,5%, nas horas trabalhadas em relação a maio do ano passado. Já os produtos de metal foram o segmento no qual se verificou a maior queda em horas trabalhadas e no emprego, com menos 8,8% e 9,9%, respectivamente, na comparação com igual mês de 2011.
 
O economista-chefe da CNI atribuiu o declínio da atividade industrial aos reflexos da crise econômica internacional, que estreitou os mercados e acirrou a concorrência dos produtos importados no mercado interno. Some-se a isso, lembrou ele, o alto custo de se produzir no Brasil, e se agrava a perda de competitividade da indústria nacional. “A realidade mostra dificuldades maiores do que se previa. O primeiro semestre já foi perdido para a indústria”, enfatizou.
 
A pesquisa revela ainda ter sido a primeira vez, desde 2006, que os indicadores de massa salarial e rendimento médio real de maio registraram queda frente a abril. Enquanto os salários da indústria recuaram em média 0,8% no período, o rendimento médio dos trabalhadores do setor diminuiu 1,3% no período, de acordo com dados sem ajuste sazonal. Conforme o estudo, o rendimento – que inclui salário, abonos, participação nos lucros, horas extras e outros ganhos, com exceção de indenizações e encargos trabalhistas – está caindo há um ano.
 
À exceção do emprego, que se manteve praticamente estável, os demais indicadores registraram declínio em maio sobre abril, confirmando que a atividade industrial continua enfraquecida. O faturamento e as horas trabalhadas em maio caíram 0,4% e 1,4%, respectivamente, em comparação a abril, mas apesar da queda mensal, o faturamento registra crescimento de 2,3% em 2012.
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