Consumo interno de máquinas sobe 16% em maio

Aumento da demanda doméstica foi abastecido principalmente pelas importações

O consumo aparente de máquinas e equipamentos cresceu em maio 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 10,9 bilhões, de acordo com levantamento divulgado ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Mario Bernardini, assessor econômico da presidência da Abimaq, ressalta que, como esse aumento da demanda doméstica foi abastecido principalmente pelas importações, sem ser acompanhado pelas vendas internas de bens de capital, é cedo para afirmar que os dados são indícios de que o investimento está reagindo às medidas do governo. O consumo aparente é a soma da produção local e das importações, excluindo as exportações.

Em maio, o faturamento da indústria de máquinas e equipamentos caiu 1% em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a receita com vendas de bens produzidos internamente recuou bem mais, 9,3%, segundo a pesquisa da Abimaq.
 
Já o volume de importações de bens de capital foi de US$ 3,6 bilhões, alta de 14,9% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o boletim da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
 
Para Bernardini, é mais provável que, com a recente desvalorização do real em relação ao dólar e o conturbado cenário externo, as empresas tenham antecipado compras que estavam agendadas para os próximos meses, como forma de se proteger. Por isso, diz, a tendência ficará mais clara apenas em junho.
 
Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, acredita que a avaliação de que o dólar não deve voltar no curto prazo ao patamar de R$ 1,90 contribuiu, de fato, para aumentar o volume de compras externas de máquinas no mês passado. No entanto, diz, a reação do consumo doméstico de bens de capital em maio é também um sinal pontual de avanço. "Após três trimestres consecutivos de queda do investimento em capital físico, era natural que em algum momento houvesse uma pequena melhora", diz ele.
 
Para o economista, é por esse motivo que o investimento deve ter evolução positiva no segundo trimestre deste ano, em comparação com os primeiros três meses de 2012, mas o prognóstico continua pouco animador. Para Velho, os efeitos das medidas de estímulos já anunciadas pelo governo só devem ficar claros em 2013, quando houver reação também da economia global. Para este ano, diz, mesmo com forte retomada no segundo semestre, o crescimento não deve superar 2,5%, como quer o governo.
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