GM e Peugeot lançarão primeiro veículo em conjunto em 2016

O primeiro veículo desenvolvido em conjunto pelas montadoras General Motors e a PSA Peugeot Citroën, que anunciaram a formação de uma aliança mundial para a produção de automóveis e aquisição combinada de componentes nesta quarta-feira, será lançado em 2016.

As montadoras francesa e norte-americana anunciaram que compartilhariam plataformas de veículos, componentes e módulos, a fim de criar uma joint venture mundial de aquisições para comprar commodities e componentes em volume combinado de US$ 125 bilhões anuais.

As duas empresas estimaram que a sinergia propiciada pela aliança atingiria os US$ 2 bilhões ao ano, em prazo de cinco anos. A GM e a PSA informaram que a aliança seria comandada por um comitê conjunto de orientação que incluiria número igual de executivos de primeiro escalão de ambas as companhias. O acordo requer aprovação pelas autoridades regulatórias.

A PSA, segunda maior montadora europeia de automóveis por volume de vendas, atrás da Volkswagen, levantará cerca de um bilhão de euros por meio de uma emissão de direitos a serem subscritos por seus acionistas, o que incluirá investimento novo pela família Peugeot.

A GM vai adquirir participação acionária de 7% na PSA, o que faria dela o segundo maior acionista do grupo, abaixo da família Peugeot, que detém cerca de 31% das ações da PSA.

A aliança automobilística entre as montadoras da França e os EUA marca o primeiro acordo da GM com um fabricante rival desde que a empresa saiu da concordata, em 2009. A montadora de Detroit, que no ano passado retomou a liderança mundial do mercado em termos de volume de vendas, de acordo com os dados reportados oficialmente, tem 32% de suas ações sob o controle do governo dos Estados Unidos, que financiou seu resgate e reestruturação.

Esta será a aliança mais estreita que a PSA já formou com um rival. A montadora francesa tem diversas parcerias limitadas para modelos isolados, com a Toyota, Ford Motor, BMW, Mitsubishi Motors e Fiat, mas até agora vinha preservando sua independência.

As duas empresas estão no vermelho na Europa devido ao excesso estrutural de capacidade no setor automobilístico, e isso vem forçando todas as grandes montadoras a oferecer fortes descontos a fim de estimular as vendas. Philippe Varin, presidente-executivo da PSA, estimou que a indústria automobilística europeia tenha capacidade excedente de 20%, o que equivale a três milhões de carros ao ano.

A GM e a PSA vão se concentrar inicialmente em carros de passageiros pequenos e médios, veículos para múltiplos propósitos e pequenos utilitários esportivos, conhecidos como "crossovers". As duas companhias informaram que também estavam estudando desenvolver uma nova plataforma comum para veículos de baixa emissão de poluentes.

A GM e a PSA venderão os veículos assim desenvolvidos sob suas marcas individuais.

O anúncio não mencionava planos para as fábricas europeias da Peugeot ou das marcas regionais europeias da GM, Opel e Vauxhall.

Independência
As duas empresas afirmaram em seu comunicado que "esta aliança reforça mas não substitui os esforços independentes de ambas as empresas para restaurar a lucratividade sustentada de suas operações europeias".

Tanto a GM quanto a Peugeot, ao revelar prejuízos significativos em 2011, no começo de fevereiro, afirmaram que a atual desaceleração na Europa estava tornando insustentável sua situação quanto à capacidade excedente.

A GM recentemente demitiu o presidente-executivo da Opel e indicou um novo conselho para a subsidiária, e está preparando um plano mais duro de reestruturação para sua unidade alemã, que permitiria que ela saísse do vermelho mesmo que o setor não recupere as vendas.

O sindicato da Opel recebeu o anúncio da aliança de maneira positiva mas não entusiásticas, afirmando que a combinação acarreta "oportunidades e riscos".

"O Fórum de Funcionários Europeus identificou riscos causados pela crescente complexidade das muitas colaborações existentes entre a PSA e outros fabricantes de automóveis", afirmou a organização em comunicado.

"Outros desafios virão do aumento de complexidade na engenharia devido à crescente diversidade de modelos, dos efeitos dos recursos dedicados aos novos projetos, e dos custos adicionais requeridos para estabelecer a cooperação.

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