Sacchelli avalia ativos na Venezuela, Argentina e Chile

A Aços F. Sacchelli, maior distribuidora nacional de aços especiais para construção mecânica e parceira exclusiva da usina italiana ABS no país, traçou metas ambiciosas para 2012. Além da expectativa de erguer uma nova fábrica no segundo semestre, a empresa, que é dona do maior estoque de aços especiais do mercado brasileiro e recentemente entrou no mercado de produtos acabados, se prepara para internacionalizar a operação.

De acordo com o superintendente da distribuidora, Wagner Sacchelli, o destino é o Mercosul e já há conversas com potenciais alvos. "Estamos olhando ativos na Venezuela, Argentina e Chile", conta o executivo. A companhia já tem em mãos a avaliação por fluxo de caixa de três empresas estrangeiras e está aguardando o resultado das auditorias contábeis (due dilligence) para dar continuidade às negociações. É possível que ao menos uma compra seja efetivada ainda no primeiro semestre.

Conforme Sacchelli, a meta é entrar no novo mercado e rapidamente alcançar a posição de liderança - ou ao menos o segundo lugar. "Todas são empresas muito bem posicionadas e queremos manter a posição que já temos no Brasil", afirma. A aquisição será concretizada com recursos próprios, porém a empresa não divulga o quanto poderá desembolsar na transação.

Para 2012, a Sacchelli projeta crescimento de 15% nas vendas - o faturamento da empresa gira em torno de R$ 150 milhões por ano - e planeja investir R$ 20 milhões somente no primeiro semestre. Na segunda metade do ano, em razão dos planos da nova fábrica, os aportes devem subir para R$ 26 milhões. "Esses R$ 20 milhões do primeiro semestre referem-se apenas aos aportes em infraestrutura", ressalta o executivo.

Em uma frente, a empresa vai ampliar as instalações da unidade de distribuição de Jacareí (SP) em 6 mil metros quadrados, o que possibilitará a acomodação de estoques superiores. Em outra, vai remodelar a matriz, em Guarulhos (SP). Como resultado, os estoques de aço, que hoje estão em 45 mil toneladas, chegarão a 60 mil toneladas.

No ano passado, quando a distribuidora investiu R$ 41 milhões, foram comercializadas 41 mil toneladas de aço, das quais 31 mil toneladas importadas. A maior parte desse aço veio da parceira ABS - o aço estrangeiro restante foi proveniente dos Estados Unidos e Coreia, entre outros países. Para este ano, a Sacchelli já se comprometeu a importar aos menos 35 mil toneladas de aço. "Se o mercado se mantiver sob as condições atuais, estimamos crescimento de 15%. Mas, se o ambiente melhorar, esse índice será maior", adianta.

Duas das principais apostas para este ano são o segmento de óleo e gás e a agricultura - a Sacchelli fornece aços especiais para confecção de peças, máquinas e equipamentos que serão utilizados nessas indústrias. A distribuidora também vê potencial de crescimento na área de produtos acabados. Em Jacareí, a Sacchelli começou a produzir, no ano passado, peças acabadas como trefilados, descascados e retificados. "São peças de maior valor agregado. Trata-se de um mercado bastante pulverizado e vamos buscar a liderança em pouco tempo", conta.

Além da melhora em volume, o executivo acredita que os preços do aço passarão por um ajuste - para cima. Em sua avaliação, as siderúrgicas nacionais estão muito pressionadas em razão do "custo Brasil". "Não é interessante para o meu negócio que o aço nacional fique mais caro. Mas é preciso admitir que, neste momento, a siderurgia está apertada demais", diz.

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