Mercado interno é a aposta das montadoras

As projeções da Anfavea (associação das montadoras com fábrica no país) para o próximo ano, anunciadas ontem, indicam que a indústria automotiva nacional deve conquistar mais mercado interno após a elevação do IPI.

O aumento de 30 pontos percentuais na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados para veículos com menos de 65% de conteúdo local começa a valer no próximo dia 16.

A entidade prevê um aumento de 2,0% na produção de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões em 2012 no confronto com este ano, enquanto as exportações devem recuar 5,5% no mesmo comparativo.

Para as vendas, a estimativa é de um aumento entre 4,0% e 5,0%.

"As medidas [tomadas pelo governo federal] devem dar mais espaço para o produto nacional", afirmou Cledorvino Belini, presidente da entidade, que não quis estimar o desempenho dos importados que são trazidos por marcas que não têm fábrica no Brasil, alvos da medida.

Salvação
Ayrton Fontes, especializado no segmento de varejo de veículos, reforça que, devido ao câmbio, "o mercado interno é a salvação" para compensar a queda nas exportações.

O consultor afirma, no entanto, que o crescimento de 4,8% no acumulado do ano nos emplacamentos e de 14,6% em novembro ante outubro está sendo puxado pelas vendas para frotistas, e não para o consumidor final.

Para 2011, a associação reviu o crescimento de 5,0% nos licenciamentos ante 2010 para 3,3%, o que indica o emplacamento de 60 mil unidades a menos, considerando a projeção anterior.

"Num volume superior a 3 milhões, com tantos fabricantes, não muda nada. Superamos a barreira dos 3,6 milhões, [patamar] recorde."

Para a produção, a previsão foi mantida em um crescimento de 1,1%. O dado no acumulado do ano até novembro, divulgado ontem, mostra uma variação inferior a essa, de 0,9%.

Os estoques atingiram 373,6 mil unidades, com redução de 40 dias, em outubro, para 35, levando em conta o ritmo de vendas atual.

Apesar do nível elevado, o número é "normal" para Belini e justificado pela grande quantidade de modelos e marcas disponíveis.

Como em outros anos, várias montadoras vão dar folgas coletivas neste mês e no próximo para os funcionários. "Janeiro é um mês historicamente mais fraco", lembra o presidente da Anfavea.




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