Boas expectativas para autopeças em 2012 com nacionalização maior

2012 será um ano de muita atividade e bons resultados para os fornecedores locais de autopeças, que serão engajados pelas montadoras no esforço de nacionalizar componentes para evitar os 30 pontos porcentuais extras no IPI dos veículos. A expectativa é de Paulo Garbossa, diretor da consultoria ADK, de São Paulo. Ele entende que alguns fabricantes de automóveis e comerciais leves farão ajustes para comprovar 65% de conteúdo regional médio, especialmente com a renovação intensa no portfólio de produtos. Prestadores de serviços de engenharia também estarão com carteira de trabalho repletas no próximo ano, oferecendo suporte a projetos de manufatura e desenvolvimento de produtos.

A General Motors, que substitui Vectra e Astra por Cruze e Cobalt, e pretende renovar toda a linha na região até 2012, admitiu rever estratégias para se enquadrar no decreto 7567. Já newcomers como Chery, JAC e Paccar/DAF querem negociar programas de nacionalização progressiva com o MDIC. Um dos interesses dessas empresas é a redução de IPI para veículos importados até que as linhas de montagem locais fiquem prontas - um tema delicado para avaliação do ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento.

Analistas consideram difícil que o governo estabeleça regras únicas para enquadrar os projetos de nacionalização das montadoras tradicionais e de novos fabricantes. Na prática, devem ocorrer negociações em separado para discussão das propostas de cada empresa.

Encomendas
A possibilidade de novo recorde nas vendas de veículos em 2011 não entusiasma muitos fornecedores de componentes automotivos. Atentos às importações de peças em patamar elevado e recuos nas encomendas das montadoras desde agosto, eles temem uma recaída no fluxo de caixa no fechamento do ano. Nos últimos três meses a média diária nas linhas de montagem de diversos fabricantes teria recuado cerca de 5% em relação às expectativas.

"Essa situação já era previsível", afirma Garbossa, diretor da ADK, lembrando que as projeções da Anfavea já indicavam ritmo menos acelerado nas linhas de montagem em 2011, como reflexo do comportamento das vendas no varejo e das importações. "Quem reclama agora esquece que o primeiro semestre foi bom", observa o consultor. Ele assinala que a queda de produção em algumas montadoras pode resultar do ajuste nas linhas de montagem para produção de novos modelos e a saída dos antigos, como ocorre na Fiat.

Em reunião com jornalistas dia 7 de novembro, o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, confirmou as previsões anunciadas no mês passado para o mercado brasileiro e assegurou que as vendas estão aquecidas neste início de mês. Segundo projeta a Anfavea, serão produzidos este ano 3,42 milhões de veículos (1,1% acima de 2010) e emplacados 3,69 milhões (mais 5%). As vendas externas absorverão 540 mil unidades, contra 502 mil de 2010.

Caminhões
No segmento de veículos comerciais, que enfrentará mudança na legislação de emissões em janeiro e contava com um extraordinário volume na programação das montadoras para atender a antecipação de compras e formação de estoques, os cenários não são muito claros. Depois do trimestre julho-setembro com linhas de montagem aceleradas, os três últimos meses do ano podem ser mornos, já que há estoques significativos. Veículos P5 (Euro 3) produzidos até 31 de dezembro poderão ser faturados às concessionárias até fim de março.

Em outubro a produção de caminhões acima de 3,5 toneladas de PBT somou 19.612 unidades, 7,5% acima de setembro. De janeiro a outubro foram montadas 178.640 unidades, 13,8% a mais do que em igual período de 2012.

A queda nos volumes de produção de veículos comerciais de janeiro a março do próximo ano é calculada em 35% sobre o último trimestre de 2011, em função das compras antecipadas de produtos P5 (Euro 3) este ano e dos aumentos de preço, de 8% a 15%. As montadoras programam três semanas de férias no início de 2012, embora a MAN deva retomar a atividade em 9 de janeiro. Uma previsível redução de turnos e menor número de dias úteis em fevereiro também contribuirão para a redução da cadência nas linhas de montagem.

Fiat Automóveis
Os parceiros comerciais da Fiat não escondem a preocupação com o recuo nas encomendas e com as férias na última semana do ano e na primeira de 2012. Presentes à convenção no lançamento do Novo Palio, em Belo Horizonte (MG), eles demonstraram otimismo com o novo modelo, mas ressaltaram que o início da produção foi retardado em três meses.

Nos bastidores do evento discutia-se uma redução de 5% nas médias diárias de produção da Fiat de agosto a novembro. O efeito vem associado a paradas técnicas recentes e preparação para o início de produção do Novo Palio, em mercado afetado pelas importações e oscilações no varejo, provocadas pelas alterações na legislação do IPI.

Os fornecedores explicam que os recursos alocados nas fábricas não podem ser mobilizados para baixo e para cima na mesma velocidade das mudanças na programação, já que é importante garantir fôlego na retomada e suprimentos, como energia, que têm demanda fixa contratual.


Tópicos: