Filial de Pequim representa 20% da receita da Embraco

A fabricante de compressores para refrigeração Embraco foi a primeira empresa brasileira a instalar fábrica na China. Para isso, precisou fazer uma joint venture com um parceiro chinês, no caso, a municipalidade de Pequim. Hoje, a fábrica de Pequim, inaugurada em 1995, representa quase 30% da capacidade global de produção de refrigeradores da Embraco e é a segunda maior unidade da empresa no mundo.

A fábrica foi inicialmente planejada para atender outros mercados asiáticos, mas o crescimento da economia chinesa é tão grande que hoje 90% da produção da Embraco na China fica no país e cerca de 20% da receita da companhia vem da produção chinesa.

A pujança da economia do país asiático atrai cada vez mais empresários ocidentais. E ao longo dos últimos 16 anos, a Embraco viu o mercado chinês diminuir suas restrições para a entrada de empresas estrangeiras. Em 1995, o setor de refrigeração era considerado estratégico pelo governo e ter um parceiro chinês era exigência.

Em seus planos quinquenais, o governo chinês define áreas da economia que considera estratégicas para um determinado período. Empresas estrangeiras que querem abrir fábricas na China precisam de um parceiro local se sua área de atuação estiver no leque das "áreas estratégicas".

Para o vice-presidente de operações da Embraco, Lainor Driessen, essa exigência é menor hoje. Segundo ele explicou, em meados dos anos 90 "todas as empresas tinham alguma participação do governo. Havia um controle bem mais abrangente praticamente em todos os ângulos da economia".

Mas Driessen aponta dificuldades do mercado chinês que permanecem. Uma delas é a cópia ilegal. "Temos visto com uma certa periodicidade nossos componentes sendo replicados pelos concorrentes", afirma o executivo, para quem parte da economia chinesa "roda em cima, efetivamente, do uso de cópias, de marcas que não são legítimas". A Embraco já teve ações de patentes em que ganhou o direito legal de cessar a utilização indevida de suas soluções tecnológicas, mas nem sempre isso foi possível. Para Driessen, "o sistema jurídico da China é ainda um sistema em construção", o que torna um processo contra cópia algo difícil e demorado. A solução para a companhia é fazer atualizações permanentes de seus produtos.

A distância cultural é outra dificuldade. "O chinês não coloca o tempo como a principal variável nas decisões ou na entrega de resultados. Para um chinês, um assunto ou uma discussão está terminada quando ele atinge seu objetivo, não quando terminou o dia", diz o executivo, ressaltando que essa diferença faz com que muitos ocidentais se sintam lesados quando negociam com chineses. "Quem quer fazer negócios lá na China tem que absorver, tem que procurar conhecer. É uma questão de familiarização", enfatiza.

Em 2006 a Embraco abriu sua segunda fábrica no país asiático, na província de Qingdao, dessa vez sem a necessidade de uma parceria com um sócio chinês. A unidade produz componentes eletrônicos para compressores. Nas duas fábricas, a empresa emprega cerca de 2.200 funcionários.

O forte crescimento da economia chinesa gera uma pressão sobre os salários. Embora os encargos sociais ainda sejam menores que no Brasil, segundo Driessen, nos últimos cinco anos, o custo da mão de obra do chamado "chão de fábrica" aumentou cerca de 10% ao ano. Nos níveis gerenciais esse aumento é ainda mais expressivo. "Hoje já existem na China profissionais com nível de salário internacional, o que se dá muito pelo grande crescimento da economia que precisa de gente especializada, pessoas que não estão disponíveis no mercado", afirma.




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