Montadoras dizem que adaptação em plantas leva mais de 3 meses

Mudar a forma de produção, incluindo os componentes nacionais na fabricação, leva tempo em uma fábrica já pronta. Esta é a opinião do presidente da BMW do Brasil, Jörg Henning Dornbusch, quanto à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender para meados de dezembro o aumento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis importados. De acordo com Dornbusch, para se atingir o volume exigido de conteúdo nacional são normalmente necessários dois a três anos.

Dornbusch admite, porém, que é possível dialogar com o governo. "Vamos trabalhar para ter 65% de nacionalização". Sobre a possibilidade de desistência da abertura de uma fábrica, no País, ele foi enfático. "Não desistimos dos planos estratégicos de uma hora para outra."

Dornbusch manteve silêncio acerca dos estados que estão cotados para a instalação de uma fábrica de automóveis da marca no País. A briga estaria entre 6 a 7 estados, mas ele preferiu não dizer nomes. "Estamos analisando todas as oportunidades do mercado."

O executivo afirma que a BMW está dialogando com o governo para viabilizar a instalação de uma planta no Brasil. "Existem variáveis que não dependem da nossa vontade", afirma. No entanto, o executivo garante que a vontade da montadora é que a maioria dos fornecedores seja daqui.

Já os rumores de que a alemã Mercedes-Benz teria intenções de instalar uma fábrica no Brasil foram descartados pelo presidente da divisão brasileira da montadora, Jürgen Ziegler. O executivo afirma que a planta de Juiz de Fora (MG) - onde ainda é produzida uma quantidade pequena de automóveis para exportação - aos poucos está se transformando em uma unidade para produção exclusiva de caminhões.

"Nós não descartamos a possibilidade de abrir uma fábrica para produção de carros no Brasil, mas isso só será viável se houver um conjunto de fatores favoráveis", explica Ziegler. Ele destaca que, hoje, o mercado brasileiro da Mercedes ainda é relativamente pequeno. Seria necessária uma demanda equivalente a pelo menos 30 mil veículos.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC se manifestou, ontem, em relação à medida do STF. De acordo com os sindicalistas, a decisão do Supremo atenderia somente aos interesses dos importadores em detrimento dos trabalhadores da cadeia automobilística do País. "A medida prejudica a geração de empregos e também a produção nacional", afirmou Sérgio Nobre, presidente do Sindicato.

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