Roteiro da Energia de 2050 da UE prevê mudança para as renováveis

União Europeia deve fazer uma mudança drástica dos combustíveis fósseis e obter cada vez mais sua energia das fontes renováveis, aumentando os custos de eletricidade nas próximas duas décadas, de acordo com um documento prévio visto pela Reuters na segunda-feira. O Roteiro da Energia de 2050, a ser publicado até o fim do ano, complementa um mapa do baixo carbono de 2050 lançado pela Comissão Europeia no início deste ano, que procura traçar uma forma para reduzir as emissões de carbono em mais de 80% até a metade do século.

“Atualmente, o sistema de energia da Europa é majoritariamente baseado em combustíveis fósseis. Isso tem que mudar”, escreve o documento prévio do Roteiro da Energia de 2050. “A maioria dos cenários sugere que os preços da eletricidade subirão até 2030, mas cairão depois disso”, disse o relatório.

O custo das despesas relacionadas à energia pode resultar em um aumento para até 15% da renda de uma família em 2030 e 16% em 2050, embora isso inclua custos de capital e custos de combustível para os transportes. Uma porta-voz afirmou que a Comissão não comentou sobre os documentos prévios que vazaram.

Grupos ambientais argumentam que os preços das renováveis se tornarão muito mais baratos em relação aos combustíveis fósseis ao longo do tempo.

O roteiro lista uma série de cenários para levar em conta os diferentes níveis de eficiência energética, os níveis variáveis de energia renovável, um possível atraso na implementação de tecnologias de captura e armazenamento de carbono e se mais ou menos energia nuclear será usada. Mesmo sem investimentos extras em renováveis, os custos aumentariam, relata o documento. A UE declarou que em alguns lugares a infraestrutura precisa de grandes atualizações.

No entanto, a energia alternativa tem a vantagem de reduzir a exposição aos preços voláteis dos combustíveis fósseis e a vulnerabilidade ao petróleo importado e ao gás, por exemplo, da Rússia, que é fornecedora dominante de gás natural. Cientistas têm declarado que as emissões de carbono precisam diminuir entre 80% e 95% até 2050 para manter o aquecimento global dentro do limite de dois graus Celsius, que os pesquisadores dizem que é necessário para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

A eletricidade é uma maneira mais óbvia de descarbonizar a energia, já que a demanda do transporte é relativamente inflexível, embora o documento indique uma eventual mudança para os veículos elétricos.

Ainda assim, o roteiro vê a necessidade de algum investimento em petróleo por precaução, ainda que muitas companhias estejam ansiosas para se livrarem das refinarias europeias, pois estas não têm sido suficientemente rentáveis.

“Manter um pé no mercado global de petróleo e manter as refinarias nacionais mesmo quando a produção e o consumo estão diminuindo domesticamente é importante para a economia e segurança da UE”, disse o documento.

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De acordo com todos os cenários, a eletricidade terá um papel muito maior, quase dobrando sua participação na demanda final de energia para 36-39% em 2050.

As energias renováveis também aumentarão significativamente em todos os cenários, atingindo pelo menos 55% no consumo bruto final de energia em 2050, um aumento de 45 pontos percentuais em relação ao nível atual de 10%.

Em um cenário de grande participação das renováveis, estas aumentariam para 97% até 2050.

Já o carvão usado pode diminuir para níveis muito baixos, enquanto o gás, que emite apenas metade do dióxido de carbono do carvão quando usado na geração de energia, tem um papel válido como combustível de transição até 2030 ou 2035.

A importância do gás de xisto, no entanto, é incerta, porque ainda está em um estágio inicial de exploração, afirmou o documento.

A Polônia, membro da UE, está interessada em desenvolver enormes reservas de gás de xisto, mas ambientalistas levantaram preocupações sobre a fratura hidráulica, ou fracking, processo para extrair o gás do xisto.

A Comissão Europeia encomendou um estudo jurídico para avaliar se a legislação da UE é suficiente para cobrir quaisquer destes problemas.

O uso muito amplo das energias renováveis pode coincidir com uma mudança no papel de financiamento dos serviços públicos, declarou o documento, seguindo a discussão para o possível uso de títulos de financiamento.

“Investidores de longo prazo precisam atraídos. Investidores institucionais devem ser tornar mais participativos no financiamento de investimentos em energia”, declarou o documento.

Todos os cenários dependem da conclusão de um acordo climático global, disse o documento. Na última semana, os ministros do meio ambiente da UE afirmaram que o bloco estava aberto a assinar uma nova fase do pacto de mudanças climáticas de Quioto, desde que outras nações também assinem.

“Se uma ação coordenada para o clima entre os principais atores globais não se fortalecer nos próximos anos, surgirá a questão do quão longe a UE deve continuar com um sistema de energia de transição orientado para a descarbonização”, afirmou o documento.

O documento também observou que as metas da UE de 2020 têm que ser atingidas para que se chegue aos cenários de 2050.

As três metas da UE para 2020 são cortar as emissões de carbono em 20%, obter 20% de sua energia de fontes renováveis e uma terceira meta – que, ao contrário das outras duas, não é obrigatória – de melhorar a eficiência em 20%.




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