RS aposta em polo naval para crescimento

A construção de estaleiros e navios promete movimentar diversos setores da indústria por pelo menos duas décadas no Rio Grande do Sul e já motivou o governo do Estado e entidades empresariais a promoverem diversas missões, em especial da Europa e a Coréia do Sul. Um estudo encomendado pela Secretaria de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Estado a Universidade Federal do Rio Grande, calcula que a construção de cascos e a montagem de plataformas de petróleo possam movimentar US$ 26 bilhões em bens e serviços e gerar até 760 mil empregos diretos e indiretos.

A primeira obra iniciada foi o Estaleiro de Rio Grande (EBR), em 2009, um dique seco para construção e reforma de plataformas marítimas. A área também deve abrigar o EGR II e III. No final de setembro o estaleiro da Wilson, Sons recebeu licença para iniciar a construção de outro estaleiro. A IESA planeja instalar uma fábrica de módulos para plataformas em Charqueadas e a Setal Óleo e Gás já anunciou um estaleiro em São José do Norte.

As consequências de tantos investimentos aparecem rapidamente. Em 2010 havia apenas 25 empresas cadastradas no Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás (Prominp) para atuar na região e no segundo semestre deste ano o número de empresas está próximo de 300. A informação é do Diretor do Comitê de Competitividade em Petróleo, Gás, Naval e Off Shore da Fiergs, Oscar de Azevedo. “Estamos buscando parcerias com universidades, estimulando empresas a se capacitarem para este mercado porque é um setor que promete um volume de negócios para duas a três décadas”, reforça Oscar de Azevedo.

“Toda a margem da Lagoa dos Patos para da cidade de Pelotas está loteada para receber indústrias ligadas ao setor e as cidades da região estão se preparando para receber 10 mil famílias para atender o complexo naval”, exemplifica o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), Getulio Fonseca.

Uma das parcerias mais promissoras, de acordo com as entridades é a chegada de empresas coreanas no Estado, grande potência na fabricação de equipamentos para o setor. A participação recente em feiras na Europa também fomentaram novas parcerias. “A ideia é que empresas gaúchas possam fabricar aqui componentes de indústrias europeias”, explica Azevedo.

A indústria baseada na ferramentaria será pouco beneficiada com a chegada do polo metal mecânica, que depende principalmente de usinagem pesada. Por isso a atração de novas empresas para o setor e a grande oferta de crédito estadual e federal. “O protecionismo a longo prazo é ruim, o empresário precisa aproveitar o momento para inovar, senão ficaremos para trás”, diz Fonseca.

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