Desenvolvimento da energia eólica aumenta demanda por engenheiros

A participação da energia eólica na matriz energética brasileira deve aumentar mais de 800% até o fim da década, segundo estimativas do governo federal. As razões desse crescimento e as demandas geradas por ele foram discutidas, nesta segunda-feira, 22 de agosto, em apresentação do diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Hamilton Moss de Souza, na Faculdade de Tecnologia. A necessidade de projetos para utilização da energia dos ventos promete ser um grande filão de mercado para futuros engenheiros.

“Se eu ainda fosse menino, dedicaria meus estudos às áreas de engenharia necessárias para o desenvolvimento e produção de energia eólica”, afirma Hamilton. Com base no cenário atual das fontes de energia do país e em projeções oficiais, o diretor do ministério mencionou as engenharias de Energia, Elétrica e Mecânica entre as que terão maior demanda por profissionais. “Vamos precisar de muita gente para fazer projetos em eólica. Espero que muitos de vocês queiram trabalhar nesse sentido”, disse a uma plateia de 60 estudantes e professores da Universidade de Brasília.

A potência dos geradores eólicos instalados até o ano passado no Brasil era de 831 MW, ou 0,8% de toda a capacidade de produção de energia elétrica no país. A estimativa do Ministério de Minas e Energia é de que essa participação chegue a 6,7% em 2020. Essa elevação tem sido acompanhada pelo fortalecimento da indústria nacional que já tem companhias entre as maiores do mundo na fabricação de equipamentos. Uma das empresas é a Tecsis, de São Paulo. O grupo tem oito fábricas, emprega 1.500 pessoas e é o segundo maior no setor de produção de pás eólicas. “Há visivelmente um ritmo acelerado na instalação de aerogeradores”, observa Hamilton.
 
O desenvolvimento tecnológico e a diminuição dos custos de produção de energia eólica são fatores que determinam o crescimento do uso da força dos ventos, explica Hamilton. Na semana passada, o governo contratou em leilão perto de dois gigawatts dessa energia por R$ 99,5 o megawatt/hora. Valor 23% menor do que havia sido negociado no ano passado. O preço aproxima-se dos valores praticados pelas usinas hidrelétricas. A compra do megawatt/hora na usina de Jirau, em Rondônia, foi estabelecido em R$ 71 no leilão realizado há três anos.

Academia
As possibilidades abertas com a exploração da energia eólica são vistas com otimismo pelo diretor da Faculdade de Tecnologia, Antônio Brasil. “Temos uma demanda promissora por um nicho muito refinado da engenharia. É um setor que requer uma vasta quantidade de pessoas bem preparadas”, avalia. Segundo ele, a UnB tem estimulado pesquisas na área e oferecido disciplinas optativas na graduação voltadas para a engenharia de sistemas eólicos nos campi Darcy Ribeiro e no Gama, onde em breve será instalado um gerador que utilizará o vento como fonte de energia. “Ainda este semestre teremos em nosso laboratório uma pequena turbina com potência de 300 watts”, diz.

Os estudantes já demonstram interesse nesse mercado ascendente. “Achei bastante interessante saber dessas perspectivas com a energia eólica. É uma área que vou levar em consideração”, afirma Bruno Suehara, aluno do 7º semestre de Engenharia de Energia. A companheira de turma Natália Seiko também se animou. “Com certeza é um mercado a se avaliar”, diz. Aluno do 10º semestre de Engenharia Mecânica, Diego Vilela, destaca a valorização de uma fonte energética menos degradante ao meio ambiente. “Tinha poucas informações da área. É importante valorizar uma fonte de energia limpa”.

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