Asiáticos representam 75% do investimento estrangeiro em SP

Ásia é responsável por 75% dos investimentos estrangeiros na indústria feitos no Estado de São Paulo. Dos R$ 5,2 bilhões anunciados por 13 empresas nos últimos três anos, R$ 3,9 bilhões vieram de japoneses, sul-coreanos e chineses. É o que mostra levantamento da Investe São Paulo, agência do governo paulista que assessora os interessados em investir no Estado. Atualmente, 80 projetos que podem render investimentos da ordem de US$ 22 bilhões e 52 mil empregos recebem consultoria da agência.

Entre as empresas asiáticas que já anunciaram investimentos no Estado, três são japonesas (AGC, vidros, Toyota e Horiba, máquinas e equipamentos); duas, sul-coreanas (Doosan, máquinas, e Hyundai); duas, chinesas (Chery, veículos, e Sany, máquinas e equipamentos). O setor com mais investimentos estrangeiros é o automotivo. Em seguida vêm máquinas e equipamentos.

A pesquisa, feita em junho com consulados e câmaras de comércio de 90 países, aponta que aeroportos e portos são os principais obstáculos para investir não só no Estado, mas no Brasil. "Esse é o maior problema do país e um entrave para a competitividade. São obras de responsabilidade federal. Apesar de algumas iniciativas, tenho dúvidas se serão suficientes", diz Luciano de Almeida, presidente da Investe São Paulo. Há três anos, ele lembra que o país perdeu a fábrica da Boeing, de fornecimento de peças, para o México por problemas de infraestrutura. "Uma das causas foi a falta de estrutura portuária. O México não produz aviões, mas tem um dos maiores polos do mundo em aviação."

Cadeia de fornecedores, mercado consumidor e mão de obra qualificada são apontados pelos estrangeiros como indicadores positivos para investir no Estado. Já incentivos fiscais e abertura de empresas, como os que dificultam os investimentos. Para José Gerardo Hernandez, cônsul-geral do México, o país precisa reavaliar a carga tributária e simplificar leis trabalhistas. "SP atrai por mercado interno. Mas as empresas dizem que no Brasil o pagamento de impostos é alto e complexo. E, apesar de a mão de obra ser mais qualificada no Estado, há ainda dificuldades nesse tema", diz.

Atualmente um dos setores que empresas mexicanas miram é o da construção civil. Na pesquisa, energia e agronegócio são apontados como setores de interesse.

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