Geoprocessamento pode auxiliar na gestão de lixo


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Dissertação defendida sobre o tema na UFMG na última sexta-feira, 13, pelo engenheiro ambiental Adílio Rodrigues Ornelas toma como base dados do município de Ouro Preto (MG) e apresenta modelo que pode ser aplicado em outros municípios brasileiros. “Atualmente, com a difusão do geoprocessamento e com os softwares existentes, é possível replicar a metodologia para praticamente qualquer lugar”, avalia o autor do trabalho.

Na pesquisa, Adílio Ornelas aplicou a metodologia nos distritos de Rodrigo Silva e Cachoeira do Campo, com os objetivos específicos de procurar áreas com potencial para implantação de aterro sanitário; definir rotas de coleta e destinação dos resíduos sólidos urbanos; e definir locais para instalação de pontos de entrega voluntária de resíduos recicláveis. “Encontramos cinco áreas com disponibilidade para a implantação de aterros sanitários capazes de atender a demanda de Ouro Preto”, informa o pesquisador, ao comentar que embora a existência de aterros seja atualmente muito discutida, eles ainda são indispensáveis quando se trata da disposição final ambientalmente adequada do lixo. “A Política Nacional de Resíduos Sólidos considera como destinação final ambientalmente adequada a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético.”

Com relação à entrega voluntária dos resíduos recicláveis, a dissertação aponta critérios que “podem auxiliar os tomadores de decisão a definir os melhores locais para a instalação desses pontos”. Adílio Ornelas considera equipamentos públicos como praças e escolas locais aptos para esse tipo de atividade. “Definimos um raio de 200 metros em torno desses equipamentos como distância razoável que as pessoas estariam dispostas a percorrer a pé para depositar os resíduos recicláveis”, conta.

Longe desses locais, o estudo definiu como de alta aptidão as áreas com maior densidade populacional, já que a intenção é evitar que a instalação dos coletores seja arbitrária e resulte em baixo índice de utilização. O pesquisador também aponta a necessidade de estabelecer outros critérios, que respeitem os princípios da universalização e eficiência instituídos pela política nacional de saneamento básico, e lembra que os pontos de coleta são apenas parte de uma estrutura maior, que inclui a destinação correta dos resíduos recicláveis. “É preciso mais do que separar. Outras etapas como a destinação e a transformação dos recicláveis devem ser levadas em consideração no planejamento da reciclagem”, completa.

Graduado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Ouro Preto, Adílio comenta que os métodos de análise espacial têm grande potencial também para outras áreas de gerenciamento de resíduos sólidos, como a logística reversa, instrumento que objetiva viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada. “É imprescindível criar critérios para a instalação de pontos de coleta desse tipo de resíduo”, reforça.

A dissertação Aplicação de métodos de análise espacial na gestão dos resíduos sólidos urbanos foi desenvolvida junto ao Programa de Pós-graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, com orientação dos professores Ilka Soares Cintra e Sérgio Donizete Faria.

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