Atenuar ruídos nas indústrias beneficia empresários e trabalhadores


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A redução dos níveis de ruído nas instalações industriais pode trazer benefícios aos empresários, com o prolongamento da vida útil das máquinas e o aumento da produtividade, e aos funcionários, com a melhoria das condições de saúde. Um bom trabalho de acústica leva a indústria a atuar de acordo com as exigências dos órgãos fiscalizadores e também pode refletir em redução de custos e aumento na qualidade dos produtos, visto que o excesso de ruído dificulta a concentração e interfere diretamente na performance dos trabalhadores.

Neste sentido, torna-se imprescindível ter meios de identificar e controlar as principais fontes geradoras de ruídos ou vibrações no ambiente de trabalho. Os medidores de nível de pressão sonora, dosímetros, microfones e acelerômetros são alguns dos aparelhos fundamentais usados nas medições de níveis de poluição. Entre os materiais de controle indicados está a clausura, termo criado para classificar a estrutura montada para isolar máquinas na linha de produção de maneira a evitar o vazamento de ruído. Entretanto, a atenuação no nível global do ruído externo à clausura exige cuidados com o acabamento das paredes, que não devem conter frestas, já que quantidades significativas do barulho podem vazar.

De maneira geral, o empresário pode adotar três tipos de ações para prevenir  problemas com ruídos. A primeira são as organizacionais, voltadas à redução das vibrações acústicas ou dos tempos de exposição a partir de um planejamento do processo produtivo com o objetivo de diminuir postos de trabalho sujeitos a elevados níveis de ruído. Também é fundamental observar o nível de ruído produzido pelo equipamento a ser adquirido e prever como ele vai contribuir para o ruído global da planta, assim como a rotação periódica do pessoal exposto e a realização de trabalhos ruidosos quando houver um menor número de trabalhadores no ambiente.

A segunda ação é o controle administrativo, que pode ocorrer de duas maneiras. A primeira com a atuação sobre a fonte produtora de ruído, ou seja, a substituição de máquinas lentas e de grandes dimensões por máquinas rápidas e pequenas e a substituição de engrenagens metálicas por plásticas. Outras alternativas são a diminuição da velocidade de rotação dos ventiladores, a utilização de materiais amortecedores de choques e vibrações e também de silenciadores nas saídas de jatos de ar ou gases, a substituição e ajustamento de partes do equipamento soltas ou desequilibradas e a manutenção periódica nos equipamento para garantir o seu perfeito funcionamento. A segunda medida de controle administrativo volta-se para a atuação sobre as vias de propagação no isolamento antivibrátil, em painéis anti-ruído, nas cabines e no enclausuramento.

A terceira e última ação de prevenção é de proteção individual, aplicada quando o nível sonoro a que o trabalhador está exposto ultrapassa os índices admissíveis e torna-se inviável a adoção de qualquer uma das soluções anteriores.

É preciso ressaltar que o mercado interno ainda é pouco exigente em termos de ruído e apenas uma legislação com rígida fiscalização, além de ações governamentais obrigatórias, farão com que as empresas invistam milhões em equipamentos e novos projetos, o que possibilitará a redução dos níveis de ruído e vibrações dos produtos.

*Vítor Litwinczik é doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na área de concentração de Vibrações e Acústica, membro da Sociedade Brasileira de Acústica (Sobrac) e sócio da Anima Acústica e Anima Ensino.

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