Emprego industrial não retomou patamar pré-crise

Embora o emprego na indústria não tenha revertido totalmente as perdas em função da crise financeira internacional, o resultado de agosto – a oitava alta consecutiva na comparação com o mês anterior – confirma a trajetória de recuperação gradual ao longo de 2010. A avaliação é do técnico da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 8, pelo IBGE, no mês o nível de emprego industrial aumentou 0,1% em relação a julho; e 5,2% na comparação com agosto de 2009.

“Mais importante do que o resultado positivo em agosto é a sequência de oito meses de crescimento, mantendo-se essa trajetória ascendente. Vale ressaltar, no entanto, que o emprego industrial não recuperou o patamar pré-crise. Neste momento, está 1,8% abaixo do patamar recorde observado em setembro de 2008”, afirmou.

Macedo ressaltou, ainda, que o contingente de trabalhadores aumentou em setores que também vêm mostrando recuperação na produção, como o de máquinas e equipamentos (12,7%), meios de transporte (9,5%), produtos de metal (9,0%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (9,8%), calçados e couro (8,0%) e metalurgia básica (12,9%). Ao todo, as contratações superaram as demissões em 13 dos 18 setores investigados. Entre as atividades que apresentaram queda, o impacto negativo mais relevante sobre o total da indústria veio do setor de vestuário (-2,5%).

O levantamento também aponta que, na comparação com agosto de 2009, o contingente de trabalhadores aumentou nas 14 áreas investigadas, com destaque para São Paulo (3,8%), a Região Nordeste (6,7%), o Rio Grande do Sul (8,1%), a Região Norte e Centro-Oeste (7,9%) e Minas Gerais (4,4%).

O técnico do IBGE destacou, ainda, que a redução de 2,9% no rendimento dos trabalhadores do setor em agosto pode ser considerada “pontual” e é explicada pela alta base de comparação em função do pagamento de bônus e da participação em lucros ocorridos principalmente no setor extrativo nos dois meses anteriores. Ele enfatizou, entretanto, que a expansão de 9,0% em relação a agosto do ano passado evidencia o “claro perfil de crescimento que atinge não só todos os locais como a maior parte dos setores”.

A influência mais relevante ficou com São Paulo (6,2%), o Rio Grande do Sul (14,4%), Rio de Janeiro (12,7%), e Minas Gerais (9,4%).

Setorialmente, ainda na comparação com agosto do ano anterior, a folha de pagamento avançou em 16 dos 18 ramos investigados, com destaque para meios de transportes (14,7%), máquinas e equipamentos (13,1%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (15,9%), produtos de metal (11,7%) e metalurgia básica (13,2%). As duas taxas negativas foram verificadas nos segmentos de papel e gráfica (-1,2%) e madeira (-0,1%).

O documento aponta que o número de horas pagas no setor industrial voltou a crescer em agosto na comparação com o mês anterior, com alta de 0,8%, após cair 0,3% em julho. Em relação a agosto de 2009, houve crescimento de 6,4% e expansão em 13 dos 18 segmentos pesquisados. Máquinas e equipamentos (14,5%) exerceram o principal impacto positivo.

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