Indústrias do Brasil ainda sentem efeitos da crise

Mais da metade das indústrias do País - 59% do total - ainda sentem os efeitos da crise financeira global, que atingiu o Brasil no fim de 2008 até o ano passado. Esses impactos são sentidos, sobretudo, na redução das exportações e na maior dificuldade de acesso ao crédito, revela a Sondagem Especial – A Indústria antes e depois da crise, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (23).

De acordo com o estudo, a questão do crédito foi importante na decisão das empresas de retomar os investimentos planejados. Entre as indústrias que não retomaram os investimentos e que buscaram crédito, 59% consideram que o acesso a empréstimos está mais difícil que antes da crise. Já entre as empresas que retomaram os investimentos, apenas 27% afirmaram que a obtenção de financiamento está mais difícil.

Cena do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin Pela ótica das indústrias afetadas negativamente pela crise, 35% responderam que o acesso ao crédito continua mais difícil do antes da crise. No entanto, para 51% delas, a facilidade de obtenção de recursos hoje é igual à observada anteriormente à crise.

Em relação às exportações, 51% das empresas exportadoras afirmaram que a demanda externa por seus produtos é menor do que antes da crise. Para pelo menos 70% das indústrias dos setores de couros, madeira e máquinas e materiais elétricos que exportam, as vendas ao mercado externo diminuíram em relação ao período pré-crise.

Inadimplência - A situação financeira é semelhante ou melhor hoje para 63% das empresas afetadas pela crise. Para 37% delas, a situação é pior. A inadimplência no mercado se mantém igual ao período pré-crise para 64% das indústrias e cresceu para 24%. Nos setores farmacêutico, edição e impressão e borracha, a inadimplência aumentou para, pelo menos, 40% das empresas.

Para 68% das empresas que sentiram os efeitos negativos da crise, a demanda interna é maior hoje ou permanece inalterada em relação à fase pré-crise, enquanto que para 32% o mercado doméstico se reduziu. A produção aumentou ou permanece a mesma para 63% das empresas e diminuiu para 36% delas. Em relação ao número de empregados, 69% responderam que houve crescimento ou se manteve estável, enquanto que para 27% houve redução.

Do total de empresas ouvidas pela pesquisa, 72% responderam que foram afetadas pela crise. Dessas, 90% afirmaram que o impacto foi negativo. Para 20 dos 27 setores da indústria de transformação analisados, os impactos da crise ainda não foram totalmente superados. Os setores que se declararam mais afetados foram calçados, couros, madeira e móveis.

A Sondagem Especial foi realizada de 30 de junho a 20 de julho último com 1.353 empresas, das quais 771 pequenas, 393 médias e 189 de grande porte.

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