São Paulo puxa alta da produção industrial em julho

O desempenho da indústria paulista foi o principal responsável pela alta de 0,4% da produção industrial brasileira em julho. Em São Paulo, a produção subiu 0,5% na comparação com junho, influenciada pelos setores de outros veículos de transporte, veículos automotores, outros produtos químicos, farmacêutica e refino de petróleo. O avanço da produção paulista veio depois de dois meses de queda que levaram a um acumulado de -1,8%. Os dados constam da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o gerente de análise e estatísticas derivadas do IBGE, André Macedo, o quadro de julho mostra uma recuperação da produção industrial, mas em ritmo ainda lento, já que sete regiões pesquisadas pelo instituto mostraram alta, enquanto outras sete apresentaram redução da produção.

"Esse quadro de sete regiões em alta e sete em queda dá o tom do resultado de julho, com um crescimento que reverte um período de queda, mas que ainda é moderado. No geral, a alta foi determinada por São Paulo", disse.

A maior alta entre as regiões pesquisadas pelo IBGE ficou com Goiás, com crescimento de 10,3%, estimulado, segundo Macedo, pela volta à operação de uma grande produtora de alimentos do Estado. O setor de alimentos representa entre 60% e 65% da indústria goiana. Na sequência das regiões que cresceram acima da média nacional estão Bahia (3,6%), Rio Grande do Sul (3,3%), Nordeste (1,7%), Rio de Janeiro (1,1%) e São Paulo (0,5%). Os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo praticamente mantiveram o patamar de junho, com avanço de 0,1% e recuo de 0,2%.

Entre as maiores quedas na série com ajuste sazonal, o destaque ficou com Santa Catarina e Paraná, que recuaram iguais 2,9%. Nos dois casos o resultado foi consequência do desempenho do setor de linha branca, que apresenta resultados ruins depois do fim do período de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Macedo acrescentou que no Paraná a situação foi agravada pelo mau desempenho do setor de edição e impressão. As outras quedas foram verificadas no Pará (-0,7%), Pernambuco (-1,2%), Amazonas (-1,3%), Ceará (-1,5%).

Na série comparativa com julho do ano passado houve alta da produção em 13 regiões, com baixa apenas em Santa Catarina, de 0,1%. Foi a primeira vez desde novembro em que uma região apresentou recuo nessa comparação. Na ocasião, a produção industrial havia caído no Pará, com baixa de 6,2%. Macedo lembrou que houve influência de um dia útil a menos em julho deste ano.

O tom da alta da produção de julho na comparação com igual mês do ano passado foi dado pelos veículos automotores, com crescimento de 26,5%. A Bahia viu a produção do setor subir 110,4% nessa comparação, fruto de uma base comparativa baixa. A alta foi puxada em todas as regiões produtoras de veículos automotores pela indústria de caminhões e os dois Estados em que a produção de veículos caiu - Minas Gerais, com -1,2% e Santa Catarina, com -28,5% - não são fortes fabricantes de caminhões.

No acumulado em 12 meses, a produção industrial apresenta alta nas 14 regiões pesquisadas pelo IBGE, que contribuem para o avanço de 8,3% na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores. O principal destaque fica com o Espírito Santo, com 21,1% de crescimento, embora a principal influência venha do crescimento de 7,4% de São Paulo.

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